29/08/2019 08h54

Vítima tinha 42 anos e não havia sido imunizada, segundo Secretaria Estadual da Saúde. Balanço da semana passada registrou no estado 2.457 casos da doença, sendo 66% na capital.

Com informações do G1

A Secretaria Estadual da Saúde anunciou na tarde desta quarta-feira (28) a primeira morte provocada pelo sarampo na cidade e no estado de São Paulo desde o início do surto da doença neste ano. Segundo a secretaria, é a primeira morte no estado desde 1997.

A vítima é um homem de 42 anos, sem registro de imunização. Ele era morador de Itaquera, Zona Leste da capital, chegou a ficar internado no hospital e morreu em 17 de agosto. O homem não possuía o baço, órgão do sistema linfático responsável por, entre outras funções, produzir e armazenar células de defesa do corpo.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que fez bloqueio na região onde a vítima morava, no hospital, próximo à família dele e no local onde ele trabalhava. Além disso, aplicou vacinas nas pessoas que vivem ou trabalham nesses locais. A suspeita é que a vítima tenha contraído sarampo de duas sobrinhas.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa que pode evoluir para complicações e levar à morte. De acordo com o balanço da Secretaria da Saúde divulgado nesta quarta-feira, o estado tem 2.457 casos da doença, sendo 66% na capital paulista, o que equivale a 1.637 pessoas contaminadas pela doença.

O balanço anterior apontava 1.797 casos de sarampo no estado, o que representa crescimento de mais de 36% pela terceira semana consecutiva

Segundo o último balanço nacional do Ministério da Saúde, referente ao período entre 19 de maio e 10 de agosto, 99% dos casos confirmados da doença foram no estado de São Paulo.

Três Lagoas

Apesar do Mato Grosso do Sul não registrar nenhum caso até agora, a Prefeitura de Três Lagoas irá fortalecer o esquema de vacinação, principalmente em crianças de seis meses a menores de um ano de idade, em todas as Unidades de Atenção Básica de Saúde.

Segundo determinação do Ministério da Saúde, “as crianças de seis meses a menores de um ano de idade que vão se deslocar para municípios que apresentam surto ativo de sarampo devem ser vacinadas contra a doença pelo menos 15 dias antes da data da viagem”.

As maiores incidências de sarampo são observadas em crianças menores de cinco anos de idade, com destaque para as menores de 1 ano, com 38,3 casos por 100 mil habitantes, seguidas pelos adultos jovens de 20 a 29 anos, com 9,1 casos por 100 mil habitantes.

Quem precisa se vacinar?

Dose zero:Devido ao aumento de casos de sarampo em alguns estados, todas as crianças de 6 meses a menores de 1 ano devem ser vacinadas (dose extra). Primeira dose: Crianças que completarem 12 meses (1 ano). Segunda dose: Aos 15 meses de idade, última dose por toda a vida.

Adulto deve se vacinar contra o sarampo?Se você tem entre 1 e 29 anos e recebeu apenas uma dose, recomenda-se completar o esquema vacinal com a segunda dose da vacina; Quem comprova as duas doses da vacina do sarampo, não precisa se vacinar novamente.

Não tomou nenhuma dose, perdeu o cartão ou não se lembra? De 1 a 29 anos – São necessárias duas doses; De 30 a 49 anos – Apenas uma dose.

Casos em SP

O número de casos de sarampo em São Paulo em 2019 já é o maior registrado em duas décadas, segundo dados da secretaria. Durante muito tempo, apenas casos pontuais e importados de outros locais foram registrados no estado.

Desde a década de 90, os registros só ultrapassaram a casa do milhar em 1997, quando um surto da doença provocou 23,9 mil casos.

O sarampo é uma doença extremamente contagiosa causada por um vírus do gênero Morbillivirus, da família Paramyxoviridae. A transmissão pode ocorrer por meio da fala, tosse e/ou espirro. O quadro de infecção pode ser grave, com complicações principalmente em crianças desnutridas ou com sistema imunológico debilitado.

Foram registrados casos da doença nos seguintes municípios paulistas:

  • Agudos – 1
  • Americana – 1
  • Aparecida – 1
  • Araçariguama – 3
  • Arthur Nogueira – 1
  • Atibaia – 2
  • Barueri – 34
  • Bauru – 11
  • Birigui – 1
  • Biritiba-Mirim – 1
  • Caçapava – 10
  • Cajamar – 2
  • Caieiras – 1
  • Campinas – 23
  • Carapicuíba – 37
  • Catanduva – 1
  • Cotia – 2
  • Diadema – 6
  • Embu – 1
  • Embu-Guaçu – 2
  • Fernandópolis – 28
  • Ferraz de Vasconcelos – 2
  • Franca – 8
  • Francisco Morato – 12
  • Franco da Rocha – 16
  • Getulina – 1
  • Guararema – 3
  • Guaratinguetá – 1
  • Guarulhos – 91
  • Hortolândia – 3
  • Indaiatuba – 7
  • Itapecerica da Serra – 2
  • Itapetininga – 1
  • Itapevi- 1
  • Itaquaquecetuba – 7
  • Itu – 1
  • Itupeva – 1
  • Jacareí – 2
  • Jaguariúna – 2
  • Jales – 1
  • Jandira – 2
  • João Ramalho – 1
  • José Bonifácio – 1
  • Jundiaí – 5
  • Limeira – 1
  • Louveira – 1
  • Macedônia – 1
  • Mairiporã – 23
  • Mariápolis – 1
  • Marília – 1
  • Mauá – 42
  • Meridiano – 1
  • Mogi das Cruzes- 8
  • Olímpia – 1
  • Osasco – 57
  • Paulínia – 3
  • Penápolis – 1
  • Pedro de Toledo – 1
  • Peruíbe- 6
  • Piedade- 1
  • Piracaia – 1
  • Pirassununga – 1
  • Pindamonhangaba – 3
  • Poá – 5
  • Praia Grande – 4
  • Presidente Epitácio – 1
  • Presidente Venceslau – 2
  • Ribeirão Pires – 14
  • Ribeirão Preto – 3
  • Rio Grande da Serra – 2
  • Santa Isabel – 1
  • Santana de Parnaíba – 20
  • Santo André – 126
  • Santos – 28
  • São Bernardo do Campo – 45
  • São Caetano do Sul – 11
  • São Carlos – 1
  • São José do Rio Preto – 13
  • São José dos Campos – 8
  • São Paulo – Capital – 1.637
  • Sertãozinho – 8
  • Sorocaba – 15
  • Sumaré – 3
  • Suzano – 2
  • Taboão da Serra – 2
  • Taquaritinga – 1
  • Taubaté- 4
  • Vinhedo – 5
  • Votuporanga – 2
  • Total – 2.457

Surto no país

Antes considerado um país livre do sarampo, o Brasil perdeu o certificado de eliminação da doença concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em fevereiro deste ano, após registrar mais de 10 mil casos em 2018. O surto aconteceu principalmente nos estados de Amazonas e Roraima.

Durante as décadas de 1970 e 80, o sarampo ainda era umas das principais causas de mortalidade infantil no Brasil. Até que, a partir de 1999, o país não registrou mais mortes pela doença, o que só voltou a ocorrer em 2018.

Foto ilustrativa

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