04/02/2012 10h17 – Atualizado em 04/02/2012 10h17

STJ nega liberdade a suspeito de aborto de jovem morta em MS

Além de aborto, enfermeiro é acusado de ocultação de cadáver.
Jovem desapareceu em maio e foi encontrada morta em junho.

G1 MS

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta quinta-feira (2) o pedido de habeas corpus do enfermeiro Jodimar Ximenes Gomes, que é acusado de prática de aborto e ocultação de cadáver da jovem Marielly Barbosa Rodrigues, encontrada morta em junho do ano passado em um canavial de Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande.

Gomes está preso desde o dia 13 de julho. Segundo a polícia, ele é acusado de ter praticado o aborto malsucedido que teria provocado a morte de Marielly.

De acordo com David Moura Olindo, advogado de Jodimar, a justificativa do STJ para negar o pedido foi uma suposta ameaça do enfermeiro a uma testemunha de acusação.

“Não há mais razão para o Jodimar permanecer preso, não existem provas concretas contra ele, não foi encontrado o feto, não foi encontrado o baú onde supostamente teriam transportado o corpo e não encontraram vestígios de DNA da Marielly na casa dele. Essa testemunha só falou dessa suposta ameaça em seu quinto depoimento”, alega.

Olindo diz também que Jodimar vai continuar alegando inocência e revela que seu cliente pretende processar o estado depois do julgamento do caso para obter uma indenização. “No júri todos vão conhecer a nossa versão. O Jodimar está preso há mais de 200 dias e ainda não foi ouvido em juízo. Estão querendo que ele confesse, mas não vai confessar”, diz.
Ainda segundo a defesa de Jodimar, um novo habeas corpus pedindo a liberdade do enfermeiro foi protocolado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), porém, ainda não houve decisão.

Outro acusado
Já o outro acusado de envolvimento no crime, o cunhado da vítima, Hugleice da Silva, responde ao processo em liberdade. Ele saiu da prisão no dia 19 de setembro, após o TJ-MS aceitar o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa dele.
O advogado de Silva alegou que o acusado tem bons antecedentes, tem trabalho, se apresentou de forma espontânea a polícia após ter a prisão decretada e colaborou nas investigações, já que confessou o crime.

O caso
Marielly desapareceu em Campo Grande no dia 21 de maio. O corpo dela foi encontrado em um canavial na cidade de Sidrolândia no dia 11 de junho.
Antes disso, a família já havia iniciado campanha em busca da jovem. Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a estudante morreu em decorrência de aborto malsucedido.

O cunhado de Marielly e o enfermeiro foram presos, suspeitos de envolvimento na morte da jovem. Inicialmente, Silva negou que tivesse qualquer relação com o caso, mas confessou que teve um relacionamento com a garota e que a levou para abortar em Sidrolândia.

Silva disse que pegou o telefone do enfermeiro com um caminhoneiro e marcou encontro na casa dele, em Sidrolândia. O cunhado de Marielly disse à polícia que Gomes contou que o procedimento deu errado e a jovem morreu. Os dois teriam levado o corpo para o canavial. Silva nega que seja o pai da criança que a cunhada esperava.

Mesmo com as confissões do cunhado, o enfermeiro nega participação no crime. O advogado do enfermeiro declara que as provas contra o cliente são frágeis e que as investigações precisavam tomar outro rumo para apontar a verdadeira causa da morte de Marielly.

Enfermeiro Jodimar Ximenes é acusado de fazer
aborto em jovem (Foto: Tatiane Queiroz/G1 MS)

Família fez cartazes sobre o desaparecimento de
Marielly (Foto: Fernando da Mata/G1 MS)

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