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Suspeitos de tortura afastados

18/09/2002 08h59 – Atualizado em 18/09/2002 08h59

Dois delegados e 17 agentes federais que estavam de plantão quando cozinheiro foi assassinado farão só serviço burocrático

O superintendente de Polícia Federal (PF), Marcelo Itagiba, anunciou à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) o afastamento dos delegados Marcelo Duval Soares e Luís Felipe Egger Magalhães, além de 17 agentes federais, das funções operacionais. Os 19 policiais estavam de plantão sábado, dia 7, quando o auxiliar de cozinha Antônio Gonçalves de Abreu, 35, sofreu traumatismo craniano sob custódia da PF.

De acordo com Marcelo Itagiba, os policiais foram transferidos para trabalhar em setores administrativos até a conclusão do inquérito sobre o espancamento de Antônio, que morreu dia 8 em conseqüência de traumatismo craniano. A iniciativa de afastar o grupo do serviço operacional foi anunciada ao presidente da comissão, deputado estadual Chico Alencar (PT), em reunião ontem à tarde. Também participaram do encontro representantes do Grupo Tortura Nunca Mais e da Organização Não-Governamental (ONG) Justiça Global.

Chico Alencar ressaltou que durante a reunião Marcelo Itagiba admitiu a possibilidade de designar agentes para garantir a segurança de Márcio Cerqueira Gomes, 21, e Samuel Dias Cerqueira, 26. Os dois jovens foram presos, junto com Antônio de Abreu, por suspeita de participação no assassinato do agente federal Gustavo Frederico Mayer Moreira, na madrugada do dia 7. Em depoimento ao procurador da República, Daniel Sarmento, Márcio e Samuel afirmaram ter sido torturados sob custódia da PF. Segundo eles, Antônio morreu em decorrência do espancamento. A PF chegou a apontar Márcio como o autor das agressões a Antônio, mas eles ficaram presos em celas separadas.

Laudo do IML cita lesões por todo o corpo de Antônio

O exame cadavérico do auxiliar de cozinha constata a existência de “equimoses (manchas de natureza hemorrágica), feridas atípicas e escoriações em várias partes do corpo” de Antônio. O laudo número 5997/02, no entanto, não responde aos seguintes quesitos: terceiro (qual o instrumento ou meio que produziu a morte) e quarto (se foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura, ou por outro meio insidioso ou cruel). Apesar de confirmar a morte por ação contundente, os legistas não especificam o instrumento usado na agressão.

ADOLESCENTE,m com duas amigas. Morto, brutalmente espancado

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