13/11/2006 14h29 – Atualizado em 13/11/2006 14h29

Técnicos da Secretaria de Recursos Hídricos de Mato Grosso do Sul estiveram na tarde desta segunda-feira, dia13, realizando coleta de água em diversos pontos do rio Paraná, em Três Lagoas. O objetivo é verificar as causas da mortandade de peixes ocorridas nos municípios de Naviraí e Mundo Novo. No rio Paraná, 10 amostras serão recolhidas e encaminhadas para analise. Outra equipe da Secretaria fará o mesmo recolhimento no Rio Tiete, nas proximidades da cidade de Itapura (SP), divisa com o Mato Grosso do Sul. A intenção é confrontar as informações contidas nos resultados das amostras. CHEIRO Gilmar Leite, presidente da Associação de Moradores do bairro Jupiá, localizada às margens do rio Paraná, declarou nossa reportagem o que irmão dele, dias atrás, durante pescaria no Paranazão, sentiu forte odor e veneno na água e após cheirá-la foi confirmado que havia algum tipo de produto tóxico. Gilmar não soube informar se o irmão dele havia feito algum tipo de reclamação ou denuncia junto a Associação de Pescadores Profissionais de Três Lagoas. REUNIÃO Major Monari, comandante da Polícia Militar Ambiental de Três Lagoas, esteve reunido nesta segunda com representante do Ministério Público para informar do procedimento que iria ser adotado caso houve confirmação de envenenamento. Os técnicos da Secretaria de Recursos Hídricos estarão realizando durante a semana a coleta de água em todo o rio Paraná, até chegar a Usina Sergio Mota. A intenção é localizar o agente causador da mortandade. PROBLEMA ANTIGO Em 2005, a Associação de Pescadores de Castilho (SP), às margens do Rio Paraná, na divisa com Mato Grosso do Sul denunciou que o peixe cascudo preto (Rhinelepis áspera) estava apodrecendo vivo devido à poluição no rio Paraná. A denúncia foi feita pela Econg, organização não governamental de defesa ambiental com sede em Castilho. A organização protocolou a denúncia na Justiça Federal de Três Lagoas. EXAMES PRELIMINARES Naquele ano, exames preliminares feitos pela entidade de defesa constataram que a carne do cascudo estava se transformando em um líquido branco, o sangue estava grosso, as guelras amareladas, e os intestinos e partes da carne estavam descoladas do couro, o que, segundo a Econg, eram sinais claros de apodrecimento do peixe, mesmo ele estando vivo. IMPACTO AMBIENTAL Além do impacto ambiental o problema estava afetando ainda a sobrevivência dos pescadores profissionais da região, que têm a atividade como única fonte de renda para o sustento da família. Segundo o presidente da Associação de Pescadores, Cláudio Xavier Cordeiro, o problema com o cascudo começou a ser constatado há aproximadamente um ano e se acentuou nos últimos seis meses. Ele disse que pela sua experiência o cascudo atinge até cinco quilos e chegavam aos 55 centímetros, medidas que segundo ele os peixes não estão atingindo há tempos. OUTRAS ESPÉCIES Ainda segundo a Econg, por causa da poluição no rio Paraná, além do cascudo, as raias de água doce (Potamotrygon laticeps) também apareceram mortas em número preocupante. Na denúncia à Justiça, a Econg citava o combate ao mexilhão dourado que estaria sendo realizado pela Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo) com a realização de produtos químicos como um dos motivos para a contaminação e degradação dos peixes. SEM VENENOS Em nota divulgada à época pela Cesp, pelo departamento de comunicação, a companhia informava que nunca usou venenos para matar o mexilhão dourado em suas usinas. A empresa disse que a principal medida adotada para a retirada do molusco era mecânica, e era feita durante limpezas periódicas de manutenção preventiva dos equipamentos.

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