20/11/2006 11h13 – Atualizado em 20/11/2006 11h13

Rio Preto News

Os dois últimos focos de resistência a Lula no PMDB foram debelados. Os governadores Luiz Henrique da Silveira, reeleito em Santa Catarina, e André Puccinelli, eleito em Mato Grosso do Sul, resolveram mostrar a bandeira branca para Lula. Cederam ao chamamento do Planalto. Com isso, o presidente tem agora a perspectiva de dispor do apoio unânime dos sete governadores eleitos neste ano sob o guarda-chuva do PMDB. A decisão foi tomada em encontro realizado no Costão do Santinho, um resort chique de Florianópolis (SC). Embora todos os governadores tivessem sido convidados, quatro lulistas não deram as caras: Sérgio Cabral (RJ), Paulo Hartung (ES), Marcelo Miranda (TO) e Eduardo Braga (AM). Eles cederam a apelos do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que articulou o esvaziamento do encontro por julgá-lo desnecessário e inconveniente. Estiveram em Florianópolis, além do anfitrião Luiz Henrique e de André Puccinelli, o governador reeleito do Paraná, Roberto Requião, e o presidente do PMDB, deputado Michel Temer. Decidiu-se transformar Temer em portador de uma carta dos governadores a Lula. No documento, a ser entregue na quarta-feira, em audiência no Planalto, os signatários declaram apoio à negociação “institucional” que visa unificar o PMDB em torno da coalizão partidária que dará suporte ao governo Lula no Congresso. A portas fechadas, Temer relatou aos governadores o teor do telefonema que recebera na semana passada de Tarso Genro. Contou que o ministro das Relações Institucionais o chamara para discutir a coalizão com Lula. Deixou-o a vontade para levar consigo integrantes da Executiva Nacional do PMDB. O gesto foi entendido como um aceno do governo rumo à “institucionalização” das relações com o PMDB. Até então, Lula limitara-se a dialogar com o naco governista do partido representado pelos senadores Renan Calheiros e José Sarney e pelo deputado Jader Barbalho (PA). O telefonema de Tarso a Temer veio a calhar como pretexto para o movimento de Luiz Henrique e de Puccinelli rumo à adesão. A exemplo de Temer e seu grupo, Luiz Henrique e André Puccinelli haviam apoiado o rival de Lula, Geraldo Alckmin, na campanha presidencial. A vitória de Lula deu substância a uma previsão feita antes da eleição pelo deputado Eliseu Padilha (SP), segundo vice-presidente do PMDB: “Quem ganhar a disputa presidencial leva o PMDB”, dissera Padilha. “A dúvida é saber se o partido irá para o governo unido ou dividido.” O coro pró-Lula cresceu. O próprio Temer avaliou no encontro de Florianópolis que, depois de uma série de contatos que realizou nas últimas semanas, a maioria da legenda pende para a aliança com o governo. O risco do isolamento levou Luiz Henrique e Puccinelli a darem o primeiro passo na direção do Planalto. Um movimento que Roberto Requião já havia feito. Em público, Temer, Luiz Henrique e Puccinelli valeram-se de um palavreado protocolar. Pregaram a “unidade do partido” e a necessidade de assegurar a “governabilidade” a Lula. Em privado, porém, condicionaram o desfecho dos entendimentos à disposição de Lula de “institucionalizar” a negociação. Leia-se valorizar o diálogo com a direção do PMDB –Temer e a Executiva do partido—em detrimento do contato “exclusivista” que vinha mantendo com o grupo de Renan e Sarney. Conforme noticiado aqui no blog na última sexta, trava-se nos subterrâneos do PMDB uma queda-de-braço pela conquista de “espaços” –eufemismo para cargos— na Esplanada, nas autarquias e nas estatais. Os governistas querem manter e ampliar os seus “espaços”. Os neogovernistas desejam cavar “espaços” que já tiveram na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Ou Lula acomoda os dois lados ou a pretensa “unificação” do PMDB não passará de um exercício de retórica.

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