20/11/2018 10h05

O Perfil News falou com exclusividade com Rafa Gil, um dos destaques do programa que está disponível, a partir de hoje, no cardápio do serviço streaming

Gisele Berto

Ele bem que tentou seguir a tradição da família. Até se formou em Administração de Empresas, para cuidar do comércio do pai, em Bataguassu. Mas o amor pelas panelas falou mais alto e, ao invés de herdar um negócio, ele resolveu ganhar o mundo.

E agora, com apenas 35 anos, ele faz parte do primeiro time do show culinário The Final Table, que a Netflix coloca no ar hoje, 20, simultaneamente, em 190 países.

Rafael cozinhou para alguns dos melhores chefs de cozinha do mundo e disputou com outros também de alto calibre. “Ali tinha gente com estrela Michelin, tinha chef que estava entre os 50th Best (os 50 melhores)”, relembra.

O Perfil News falou com exclusividade com o chef sul-mato-grossense, que nos contou sobre a sua participação no programa e sobre seu desempenho. (SPOILER: ele foi muito bem!)

A SELEÇÃO

Rafael ainda trabalhava no Ozone, restaurante-ícone de Hong Kong, quando recebeu a visita de uma blogueira dos Estados Unidos especializada em gastronomia. “Ela me perguntou se eu queria participar de um desafio culinário e eu topei. Mas nem podia imaginar que ia dar no que deu, parecia um sonho distante”, confessa.

A participação de Rafa não foi por inscrição, foi por convite. A tal blogueira passou as informações do chef para a produção do programa e foi aí que tudo começou.

AS GRAVAÇÕES

Apesar de estar estreando hoje na Netflix, o programa foi gravado há um ano – e com ares de superprodução. Cada episódio custou US$ 2 milhões e as gravações aconteceram nos estúdios Sony, em Hollywood.

“Fiz uma série de entrevistas e apresentei um monte de documentos antes. Para a seleção final já fomos para Los Angeles. Quando cheguei, vi que tinha o dobro de concorrentes. Mais dois brasileiros concorriam comigo. Foram selecionados 24 profissionais, que formaram 12 equipes, cada uma composta por uma dupla de chefs”, explica.

A ficha de Rafa só caiu quando ele, junto com outras 23 pessoas, foi levado a um outro estúdio. “Lá nos disseram que havíamos sido selecionados”.

“Foi o primeiro contato que tivemos com o estúdio, aquela coisa imensa, surreal. Eu pensava ‘Meu, o que eu tô fazendo aqui?’”, lembra o chef.

Nesse momento, o receio do sul-mato-grossense era a proporção que as coisas tomariam. “Se eu fizesse algo errado lá podia afetar minha carreira, ou até mesmo minha família, amigos, que podiam se perguntar o que eu estaria fazendo lá”, diz Rafa, que lembra do peso de representar o país. “Eu só pensava que estava levando nosso país, nosso MS e minha Bataguassu para uma competição internacional, e mostrar que nós podemos fazer um belo trabalho”.

O PROGRAMA

Com The Final Table, a Netflix pretende entrar no lucrativo mercado de desafios gastronômicos. Além do blackbuster MasterChef, produzido no Brasil pela TV Bandeirantes, canais por assinatura já apostam no gosto dos telespectadores pelas disputas pelo sabor e aparência de delícias empratadas – sempre regados a muita pressão e com tempo contado.

Rafael conta que o formato do The Final Table privilegia a técnica dos profissionais. Além disso, como os jurados mudam em cada episódio, não se cria uma relação com quem julga os pratos, tornando a competição mais profissional – e difícil.

“Em cada episódio tínhamos que fazer um prato ícone de um país diferente, com a nossa releitura. Na primeira parte, éramos julgados um crítico gastronômico e duas celebridades do país escolhido. Na segunda parte, que era a eliminação, éramos julgados por um chef famoso do país. No caso do Brasil a chef era a Helena Rizzo. Quem não fosse bem ia para uma eliminação”.

O DESEMPENHO

Não, não vamos dar spoiler. Mas podemos adiantar que o chef Rafa foi muito bem e que os espectadores poderão ver sua atuação na maioria dos 10 episódios.

“Minha participação foi fantástica. Não posso reclamar de nada. Estava longe da minha filha, que tinha cinco meses quando fomos gravar, mas foi fantástico. O incrível é que o programa que vai ser lançado em mais de 190 países e vou poder mostrar meu trabalho e aquilo que eu gosto de fazer, que é cozinhar. Só acrescentou no meu perfil profissional. Me ajudou a acreditar mais em mim e saber que eu pude assumir um programa dessa reponsabilidade, com chefs de outros países… tinha chef lá que tinha a minha idade só em experiência em cozinha. The Final Table fez com que eu acreditasse mais em mim como profissional”.

Ao contrário de outros desafios similares, The Final Table não tem premiação em dinheiro para o vencedor. “Estão ali chefs que querem mostrar seu trabalho. O prêmio era poder cozinhar para esses chefs tão famosos do mundo inteiro, por quem temos uma grande admiração”.

The Final Table – Que Vença o Melhor já está disponível na Netflix

Chef Rafa Gil foi um dos destaques do The Final Table, show culinário que foi disponibilizado pela Netflix hoje. Foto: Arquivo Pessoal.

DENTRO! Chef Rafa Gil comemora o ingresso à primeira temporada de The Final Table. Foto: Arquivo Pessoal

Estúdios grandiosos com números dignos de Hollywood: custo de US$ 2 milhões por episódio.

A dupla passa pelo crivo rigoroso dos jurados do The Final Table. Foto: Arquivo Pessoal.

Chef Rafa e seu parceiro de dupla, o mexicano Esdras Ochoa, comemoram o bom desempenho. Foto: Arquivo Pessoal.

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