05/12/2014 08h40 – Atualizado em 05/12/2014 08h40

São cerca de 800 colaboradores do Consórcio, que foram demitidos e que ainda não receberam a rescisão contratual; a maioria, oriundos do nordeste brasileiro e após três tentativas de acordo resolveram fechar a rodovia que provocou congestionamento de 1 quilômetro nos dois lados da pista

Léo Lima e Ricardo Ojeda

Os dois lados da pista da BR-158, que demanda Três Lagoas a Brasilândia, estão com o tráfego interditado neste momento em frente à Fábrica de Fertilizantes (Fafen) da Petrobras, cerca de 35 quilômetros da sede do Município. Tal evento se dá pela manifestação de aproximadamente 800 trabalhadores do Consórcio UFN3, responsável pelas obras da fábrica, que estão impedindo o trânsito de carros, motos, ônibus, caminhões pelo local. Somente veículos de emergência –ambulâncias e resgate – podem passar pela barreira.

“Estamos sem receber desde 3 de novembro passado e demos três votos de confiança a eles [Consórcio UFN3, comandadas pela Galvão Engenharia e pela empresa chinesa Synopec) e eles não cumpriram nenhum acordo. Queremos receber nosso dinheiro hoje; negociação não adianta mais”, colocam os manifestantes. Nenhum quer ser identificado com receio de retaliações, mas um deles, que comanda também o grupo de manifestantes, conhecido como “Mano Bom”, resume o que todos estão passando: “queremos ir embora para nossas terras [estados de origem] e não podemos; nossas famílias estão passando necessidades e não temos como mandar dinheiro”.

APOIO

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil Pesada (Sintiespav), Nivaldo Moreira, acaba de chegar ao local e conversa com os manifestantes. Ele, ontem (04), tinha confirmado que os trabalhadores do Consórcio estavam revoltados com a situação e que poderiam realizar alguma manifestação.

Inclusive, conforme uma pessoa que enviou mensagem ao Perfil News, também trabalhador do Consórcio, há possibilidade de os revoltosos promoverem quebra-quebra no comodato e até atearem fogo no local. E mais: essa situação pode vir para a cidade, com os trabalhadores invadindo a área urbana de Três Lagoas. “Podemos ter um Natal de preocupações, pois os demitidos, sem dinheiro e sem condições de voltarem para suas terras podem se revoltar e colocar a cidade em polvorosa”, anunciou Nivaldo, confirmando a preocupação do trabalhador reclamante.

POLICIAMENTO

Uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outra da Rotai (Rondas Ostensivas Táticas do Interior) estão no local para fazer a segurança tanto dos manifestantes quanto dos usuários da rodovia.

Um policial rodoviário federal, que comanda a equipe da PRF, foi até o interior da Fábrica de Fertilizantes, junto com uma comissão de três manifestantes, dentre eles o “Mano Bom”, para conversar com a direção da unidade industrial. No começo do movimento, logo no início da manhã, cerca de dez funcionários do corpo administrativo da fábrica tiveram a entrada liberada. “Mas, aqui não entra nem sai mais ninguém”, concluiu “Mano Bom”.

A reportagem do Perfil News chegou ao local logo nas primeiras horas da manhã, enquanto os trabalhadores fechavam os dois lados da rodovia (Foto: Léo  Lima)

Com galhos, pedaço de madeira e barreira humana os manifestantes fecharam a BR provocando congestionamento de 1 quilômetros nos dos lados da pista  (Foto: Léo Lima)

De acordo com os líderes da manifestação apenas ambulância e carga perecível tinham liberação para passar (Foto: Léo Lima)

A PRF esteve no local conversando com os manifestantes para tentar liberar pelo menos uma via da rodovia (Foto: Ricardo Ojeda)

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