22/10/2015 17h52 – Atualizado em 22/10/2015 17h52

Vários trabalhadores procuraram o Sintiespav (Sindicado dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Pesada do Bolsão Sul-mato-grossense), para denunciar a empresa G4 Terraplanagem de não estar cumprindo acordos e retenção de documentos

Ricardo Ojeda

Um grupo de trabalhadores contratados pela empreiteira G4 Terraplanagem procurou o Sintiespav (Sindicado dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Pesada do Bolsão Sul-mato-grossense) para denunciar o descaso e abandono que os mesmo estão sendo submetidos pela empreiteira.

Informações repassadas pelo presidente do Sintiespav, Nivaldo da Silva Moreira, vários trabalhadores contratados pela empresa, G4 Terraplanagem procuraram a sede da entidade sindical para formalizar denúncias que há mais de 30 dias não recebem salários e que o documento CTPS de alguns deles estão retidas junto ao RH da empresa. Eles denunciaram também que tem trabalhador machucado sem receber assistência médica. Alguns ainda estão completamente abandonados à própria sorte e sem recursos para voltar aos seus estados de origem, denunciaram.

SEM VÍNCULO DIRETO

De acordo com informações do Sintiespav, a empresa responsável por essa situação, a G4 Terraplanagem é subcontratada da Construcap que atua no canteiro de obras da Fibria, dentro do Projeto Horizonte 2.0.

Segundo informou Nivaldo Moreira, “a Fibria não tem vínculo direto com esses trabalhadores, porém deveria fiscalizar com mais atenção suas terceirizadas”. O sindicalista disse ainda que já manteve contato com a empresa, porém se mantém irredutível junto aos pleitos dos colaboradores. O líder sindical adiantou ainda que vai fazer uma denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho, para que tomem providencias.

DOCUMENTOS RETIDOS

A reportagem do Perfil News esteve em um alojamento em área central da cidade e conversou com os trabalhadores. Na ocasião foi gravado um vídeo (veja na matéria), devidamente autorizados pelos colaboradores que relataram os problemas que estão passando desde que chegaram à cidade. O haitiano, Gesner Esxavier, disse que foi contratado pela G4 Terraplanagem em Campinas e está há mais de 30 dias na cidade. Ele fez atendeu todos os procedimentos exigidos pela empresa, fez o exame médico admissional, entregou os documentos ao setor de RH da empresa, porem decorridos mais de 30 dias foi desligado, sem receber salários e nem sua documentação. “Preciso voltar para Campinas, mas não tenho dinheiro nem para comprar a passagem.

Outro em situação mais complicada ainda está o senhor, Antonio José Rodrigues, que há 45 dias espera uma solução para seu problema. No segundo dia que chegou à cidade, ao descer do ônibus escorregou e quebrou a perna. “O único atendimento que a empresa me forneceu foi levar-me para atendimento médico, onde minha perna foi engessada. Depois disse me esqueceram e nem as muletas que estou usando consegui emprestada”, reiterou o trabalhador.

POSIÇÃO DA FIBRIA

O Perfil News entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Fibria que enviou o seguinte comunicado. A contratação de prestadores de serviços e fornecedores pela Fibria é transparente e segue um processo de avaliação rigoroso, que inclui controles internos e externos para a verificação de conformidade à legislação, três cotações, avaliações de compliance, compromisso de cumprimento ao Código de Conduta da Fibria, bem como das leis anticorrupção e de defesa da concorrência vigentes no país e no exterior. Qualquer descumprimento comprovado possibilita a rescisão do contrato pela Fibria, além da aplicação de eventuais penalidades, conforme o caso.


O presidente do Sintiespav, Nivaldo da Silva Moreira disse que vai fazer a denúncia ao Ministério Público do Trabalho sobre as condições que os trabalhadores estão sendo submetidos pela empresa G4 (Foto: Reprodução)


Comentários