18/04/2015 09h20 – Atualizado em 18/04/2015 09h20

A baixa qualidade seminal também pode ocorrer com outros fatores, como a hipertensão e doenças que levam à ingestão de muitos medicamentos diariamente

Assessoria

Parece desculpa, mas não é. Pegar pesado no trabalho pode comprometer os planos de ser pai. De acordo com novos estudos realizados pelo National Institutes of Health – agência de pesquisas médicas do Departamento de Saúde dos Estados Unidos –, em parceria com a Universidade de Stanford, a qualidade do sêmen se deteriora quando o homem exerce trabalhos extenuantes. A pesquisa também inclui outros fatores que contribuem para a baixa qualidade seminal, como a hipertensão e doenças que levam à ingestão de muitos medicamentos diariamente.

De acordo com Michael Eisenberg (Universidade de Stanford), a qualidade do sêmen é avaliada a partir de alguns parâmetros, como forma, quantidade e movimentação dos espermatozoides. Quanto melhores forem esses parâmetros, maiores são as chances de fertilizar o óvulo feminino, dando continuidade com a formação do embrião. “Como muitos homens estão tendo filhos tardiamente, é preciso levar em conta doenças relacionadas ao processo de envelhecimento a partir do ponto de vista da fertilidade”.

Assim como praticar exercícios em excesso pode comprometer a fertilidade – tanto masculina, quanto feminina –, exercer atividades profissionais extenuantes acarreta o mesmo problema. O excesso de cortisol acaba causando deficiência de testosterona. Segundo Aguinaldo Nardi, especialista em Medicina Reprodutiva e diretor do Fertility Medical Group de Bauru (SP), o cortisol é um hormônio esteroide produzido em resposta ao estresse. Apesar de ser fundamental para a vida, em excesso tem graves implicações. Uma delas é exatamente a deficiência de testosterona. Outra, o aumento da pressão arterial – que leva, na sequência, à necessidade de medicamentos de uso contínuo. Esse conjunto ainda pode ser acrescido de fadiga, depressão e perda de desejo sexual.

“A partir dos 30 anos, o homem começa a perder testosterona. A queda anual gira em torno de 0,8% ao ano. Isso tem levado muitos homens, hoje em dia, a buscar ajuda da Medicina Reprodutiva quando desejam ser pais na meia-idade. Mesmo que já tenham filhos, geralmente de um primeiro casamento, isso não significa que estão isentos de enfrentar problemas mais adiante. Por isso, quando o casal tenta durante um ano inteiro engravidar e não consegue, o ideal é recorrer a uma clínica de fertilização assistida. Tanto a mulher quanto o homem serão criteriosamente avaliados sob o ponto de vista reprodutivo, histórico de saúde, estilo de vida, padrão alimentar, atividade profissional que exercem etc. Trata-se de um conjunto de informações que permitirá definir o tratamento adequado”, diz Nardi.

Na opinião do especialista, estudos como o apresentado pelo NIH, que alertam para o papel que o excesso de esforço físico e de estresse pode exercer em quadros de infertilidade, devem ser rapidamente absorvidos, a fim de contribuir para o aperfeiçoamento dos tratamentos disponíveis. “Não se pode esquecer que 40% das causas da infertilidade enfrentada por um casal estão relacionados a fatores masculinos. Entre tantos fatores, alguns ainda estão sendo investigados. Vale dizer que outros 40% são referentes a fatores femininos e 20% são atribuídos a causas desconhecidas. Como avançamos muito na resolução de alguns problemas que impactam a fertilidade de um casal, vale a pena recorrer à Fertilização Assistida para investigar as causas da infertilidade, fazer um tratamento adequado – o que pode implicar em mudanças de estilo de vida e de ocupação, inclusive –, e concretizar o sonho de ter um bebê.”

(*) Informações do Fertility Medical Group, Unidade Bauru (SP)

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