16/09/2019 10h47

Traficante de aves é preso e multado em R$ 750 mil em Bataguassu

Ele levava 150 filhotes de papagaio em um Fiat Uno e revenderia os pássaros em São Paulo; homem responderá por crime ambiental, com pena prevista de seis meses a um ano de detenção.

Gisele Berto

Um homem de 50 anos, morador de Ivinhema, foi preso na noite de sábado, 14, em Bataguassu, com o carro cheio de filhotes de papagaio, que seriam levados para São Paulo.

A prisão foi feita nas proximidades do posto Prudentão, na BR-267. Dentro do Fiat Uno, ele estava com quatro caixas que levavam 150 filhotes de papagaio. Cada um seria revendido em São Paulo por R$ 100.

Os militares deram voz de prisão ao traficante, apreenderam o veículo e as aves e acionaram a equipe da PMA, que estava em bloqueio na região, na operação de combate ao tráfico dessas aves. Ele foi conduzido à delegacia de Polícia Civil de Bataguassu e responderá por crime ambiental, com pena prevista de seis meses a um ano de detenção.

O homem afirmou que pegou os papagaios nos ninhos em fazendas na região do Distrito de Casa Verde, no município de Nova Andradina e os levaria para venda no estado de São Paulo. As aves foram encaminhadas ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) na Capital.

OPERAÇÃO BOCAIÚVA

Este é o período reprodutivo dos psitacídeos (papagaio, arara, periquitos, maritacas) e, por isso, a Polícia Ambiental e o IBAMA realizam operações contra o tráfico de animais silvestre. Na primeira fase, a “Operação Bocaiúva I” envolve 43 policiais e fiscais e foi iniciada no último dia 12.

O intuito principal é evitar a retirada dos filhotes dos ninhos, pois o processo de cuidado e reintrodução das aves à natureza é complicado e custoso.

Enquanto as equipes se distribuem em fazendas e bloqueios, os outros órgãos de segurança, como, Unidades da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal, principalmente da região com maior índice do tráfico, foram alertados para atentarem para o problema neste período.

REGIÕES CRÍTICAS

A região principal do problema de tráfico de papagaio e que é monitorada é basicamente a que constitui os municípios próximos às divisas com os estados de São Paulo e Paraná, como Jateí, Batayporã, Bataguassu, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Anaurilândia, Santa Rita do Pardo, Nova Andradina, Três Lagoas e Brasilândia, além de Naviraí, Itaquiraí, Eldorado e Mundo Novo, porém, a operação está sendo realizada em todo o Estado, como em 2018, quando houve redução na retirada de filhotes de papagaios no Estado.

Nesta operação estão sendo monitorados e fechadas as saídas do estado com bloqueios, especialmente, nas saídas para o estado de São Paulo, que é o destino principal registrado dos filhotes de papagaios traficados em Mato Grosso do Sul.

Segundo a Polícia Ambiental, o período de agosto a dezembro é preocupante com relação ao tráfico de animais silvestres, pois é o período reprodutivo dos papagaios que é o animal mais traficado no Estado. A PMA mantém trabalhos preventivos nas propriedades rurais para prevenir a retirada dos animais e aliciamentos de funcionários de fazendas e assentados pelos traficantes, para a retirada dos filhotes.

PROBLEMAS DO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES

O tráfico de animais silvestres é considerado a terceira atividade criminosa mais rentável, perdendo apenas para o tráfico de drogas e o tráfico de armas. Porém, em Mato Grosso do Sul, o problema se resume quase que especificamente ao papagaio.

Como o que interessa ao comprador na espécie é a capacidade que ela tem de aprender a imitar a voz humana, a retirada só é realizada enquanto filhote. Por ser o período reprodutivo da espécie, os meses de agosto a dezembro são preocupantes com relação ao tráfico de animais silvestres.

Filhotinhos estavam presos em caixas de madeira e seriam vendidos por R$ 100 cada em São Paulo. Foto: Divulgação PMA

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