18/02/2019 12h08

Depósito às margens da BR-158 não levantava suspeitas dos vizinhos; valor da carga era de R$ 30 milhões e poderia chegar a R$ 60 milhões se fosse distribuída no varejo

Gisele Berto

A localização estratégica e facilidade logística que tanto atraem empresas para a região também foi utilizada para ajudar o crime organizado.

Essa foi a conclusão do delegado da Polícia Federal, Caio Martins de Lima, ao analisar a segunda maior apreensão de cocaína da história no MS, feita ontem em Três Lagoas.

“Para a quadrilha, a cidade era basicamente um lugar mais tranquilo, mais perto de São Paulo, última etapa para atravessar a fronteira. O galpão daqui funcionava como uma espécie de entreposto dos traficantes, que traziam a droga de Campo Grande, separavam aqui e a redistribuiam em caminhões para que chegasse até o estado de SP”, contou o delegado.

Chegando em Três Lagoas, a carga era escondida em carretas que carregavam celulose. Dessa maneira, em compartimentos escondidos, atravessava a fronteira e chegava ao seu destino, onde era novamente redistribuída para chegar à região metropolitana de São Paulo.

Dentre os seis presos, um tinha residência em Três Lagoas. O Delegado afirma que o dono do galpão já foi chamado a depor, mas acredita que ele não esteja envolvido. “Ele disse para a gente que alugava para uma transportadora e que já tinha alugado uma outra casa há um ano para o rapaz”, disse.

Às margens da BR-158, o galpão ficava em área urbana. Os vizinhos, assustados, disseram que foi um “choque” quando souberam o que era guardado no galpão.

Oito agentes estiveram envolvidos na operação, que resultou na prisão de seis homens e a a apreensão de três caminhões, um carro e mais de 950kg de cocaína. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o caso e deve concluir as investigações em até 60 dias.

HISTÓRICO

Na operação concluída neste domingo, 17, em Três Lagoas, a Polícia Federal apreendeu 954kg de cocaína. É a segunda maior apreensão de cocaína registrada em Mato Grosso do Sul. A maior, de 1,5 tonelada, foi feita pela Polícia Federal em Corumbá, em 2015. Em janeiro deste ano a PRF apreendeu 940kg encontrados em um carro de luxo em Ponta Porã.

O valor estimado da droga é de R$ 30 milhões – que poderia chegar a R$ 60 milhões depois da venda no varejo.

Na operação, a PF também prendeu seis membros da organização criminosa e apreendeu quatro veículos utilizados para a entrega no entorpecente – três caminhões e um carro de passeio.

A operação estendeu-se por todo o fim de semana, desde sexta-feira, 15, quando os policiais federais receberam informações anônimas sobre traficantes de entorpecentes. De posse das informações, equipe de policiais fizeram diligências na região da BR-158, onde conseguiram desmantelar a rede de tráfico de cocaína.

Seis pessoas foram presas: dois motoristas autônomos, um comerciante e três auxiliares de serviços gerais de um dos presos. Todos os presos eram naturais de MS e estão à disposição da Justiça.

Galpão às margens da BR-158 vivia fechado e não despertava suspeita dos vizinhos. Foto: Gisele Berto

Carreta já estava carregada para sair quando os policiais chegaram.

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