14/03/2012 15h07 – Atualizado em 14/03/2012 15h07

Apenas 13 ônibus atendem a população em Três Lagoas; tarifa é considerada abusiva

Estudantes, que mais sofrem com o caos, denunciam atrasos dos ônibus, superlotação e descaso com acessibilidade

Rafael Furlan

Estudantes da UFMS – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, estão indignados com a falta de ônibus e com os atrasos em diversos horários. A reportagem do Perfil News acompanhou a ‘odisseia’ dos estudantes no transporte coletivo de Três Lagoas e constatou que falta compromisso da empresa permissionária do transporte, que é paga com recursos públicos e não atende as exigências mínimas de serviço de qualidade.

Para a aluna do curso de História Camila Carvalho, o problema maior é a falta de ônibus circulando no período da tarde e durante à noite. “Muitos precisam recorrer à moto taxi, ou até mesmo, outro tipo de transporte”, disse.

Ela fala também sobre a questão da carona. Em uma hora que ficamos esperando o ônibus chegar até o local, percebemos que muitos jovens pedem carona para chegar até o centro da cidade. “As pessoas pedem carona, pois o ônibus atrasa ou passa lotado e isso é complicado, principalmente para quem precisa sair da faculdade e ainda tem que cumprir estágio”.

RECLAMAÇÕES

PONTOS DE ÔNIBUS

Durante a reportagem do Perfil News, constatou-se que na cidade são poucos os abrigos com cobertura para os passageiros. Na avenida Capitão Olinto Mancini, próximo à escola Afonso Pena, um ponto de ônibus, que antes do ciclone extratropical era coberto e protegia os alunos, hoje está totalmente destruído e sem proteção alguma. A Prefeitura não reformou o abrigo.

VALORES

Hoje o valor da tarifa de ônibus em Três Lagoas é R$ 2. Pelo cartão magnético, os estudantes pagam R$ 1. Porém, o cartão dá direito a 20 dias, muito embora o mês letivo é de 25 dias.

“O acadêmico tem o passe universitário. Precisamos de uma ajuda, pois temos que pagar 5 dias, a R$ 2 ida e volta, totalizando R$ 4 por dia”, reclama Camila Carvalho.

De acordo com o gerente operacional da Viação Três Lagoas, Marcelo da Rocha, o acordo foi feito quando houe a implantação do transporte urbano em Três Lagoas, desde o ano de 2008”.

VISTORIAS

A reportagem do Perfil News acompanhou os usuários do tranporte coletivo e constatou o martírio da superlotação. Na linha Centro-Bairro Vila verde, por exemplo, os passageiros se acotovelam. O ônibus teria capacidade para 21 passageiros sentados e 43 em pé. Quem não consegue lugar se acomoda até nos degraus da porta.

Ao descermos do ônibus, pedimos para o motorista testar o elevador para cadeirantes e por incrível que pareça, o equipamento travou. Questionamos e ele disse que “isso ocorre devido à terra que fica aqui no ônibus. Lavamos todos os dias, mas os bairros aqui não ajudam e a terra faz com que o equipamento trave em alguns momentos”, diz Rogério Ferreira da Silva.

CONCESSÃO

Desde o ano de 2008 a empresa Viação Três Lagoas detém a concessão do transporte urbano. Atualmente 13 ônibus percorrem 90% da cidade, em diversos horários, porém, em alguns bairros onde o fluxo de pessoas é menor, eles deixam a desejar, passando de uma a duas vezes ao dia.

Para o gerente da empresa, Marcelo da Rocha, referente aos atrasos e a situação dos ônibus, ele admite 10 a 15 minutos de retardamento no começo do período letivo. “Remanejamos, trocamos de motoristas e o horário que o ônibus saia era às 18h40, porém, estamos saindo agora às 18h35, para o motorista chegar lá o mais rápido possível. Sobre a lotação dos ônibus, uma nova negociação precisa ser feita e os ônibus estão bons e passam por manutenção. A medida que ocorrer uma necessidade clara, precisamos estar revendo”, desconversou.

Outro problema, é que a Prefeitura, que dá a concessão, não fiscaliza e o município não dispõe de órgão regulador de serviço público. Nesse caso, a Prefeitura poderia requerer os serviços da Agepan (Agência Reguladora da Concessão de Serviços Públicos).

Estudantes reclamam da falta de ônibus. (Foto: Maycon Almeida)

A estudante Camila Carvalho, que cursa História, reclama da precariedade dos ônibus. (Foto: Maycon Almeida)

Rejane Trindade também sofre diariamente com os coletivos da cidade
Foto: Maycon Almeida

Aristides José de Souza utiliza todos os dias o ônibus para trabalhar
Foto: Maycon Almeida

Munícipes reclamam também sobre os pontos dos ônibus
Foto: Maycon Almeida

Estudantes pagam R$ 2 para ir e voltar da escola. (Foto: Maycon Almeida)

Em horários considerados de

Aluna pede melhorias
Foto: Maycon Almeida

Teto de ônibus danificado. (Foto: Maycon Almeida)

Alça para segurar está quebrada e é um perigo para a população que é obrigada a se equilibrar no ônibus em movimento. (Foto: Maycon Almeida)

Lavanca de saída de emergência está com o suporte quebrado e os dizeres estão apagados, dificultando a leitura
Foto: Maycon Almeida

Crianças arriscam vida brincando com o ônibus em movimento. (Foto: Maycon Almeida)

Marcelo da Rocha minimiza problemas com os ônibus da Viação Três Lagoas. (Foto: Maycon Almeida)

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