08/03/2012 11h11 – Atualizado em 08/03/2012 11h11

Três Lagoas quer construir termas com água de poço da Petrobras

Sanesul devolve Poço do Palmito, mas não descarta misturar água quente nas torneiras residenciais

Elisângela Ramos

A desativação do Poço do Palmito, prevista para acontecer até setembro, desencadeou em Três Lagoas discussão sobre o aproveitamento da fonte que jorra água quente para a construção de um clube termal. A ideia de construir um termas foi lançada pela vice-governadora Simone Tebet (PMDB), durante assinatura de ordem de serviço à Sanesul para a perfuração de um outro poço, com água em temperatura ambiente.

A captação no Poço do Palmito é feita a uma profundidade de 5 mil metros, com vazão aproximada de 200 metros cúbicos por hora. A descoberta do aqüífero termal ocorreu por acaso, durante prospecção de petróleo. Entregue ao sistema de abastecimento, o poço ainda é usado pela Sanesul por causa da potabilidade da água, mas a rejeição à temperatura levou a empresa a investir R$ 1,8 milhão na captação de água, agora a uma profundidade de 140 metros. Assim que o novo poço for ativado, a Petrobras deve, caso não seja impedida, fechar o aqüífero termal. É essa hipótese que desperta a discussão na cidade. A própria Sanesul avalia a possibilidade de temperar as águas da fonte termal e do novo poço.

O principal insumo para um termas é a água quente e para trazê-la à superfície não haverá custo algum. Ela pode ser canalizada no próprio córrego do Palmito e no local ser montado um clube de água quente. Nesse estágio sim haveria a necessidade de investimentos privados, já que o poder público não dispõe de nenhuma dotação orçamentária ou programa para financiar esse tipo de empreendimento.

Para Simone Tebet, Três Lagoas pode desenvolver mais o turismo se aproveitar a fonte termal. “E uma ideia, mas podemos não desativar o poço, mas sim desviar a água para o córrego do Palmito e buscar investidores para construir um termas, o que beneficiaria o setor de turismo em nossa cidade”.

ÁGUA QUENTE

A água quente se deve, segundo especialistas, à grande profundidade do poço, abaixo do Aquífero Guaraní, que tem poços a 1.500m de profundidade. Fonte termal é a emergência de água subterrânea aquecida pelo calor causado pelo gradiente geotérmico, além de processos de vulcanismo. As fontes termais existem em toda a Terra, incluindo o fundo dos oceanos.

De acordo com a geografia, embora não se tenha encontrado uma referência para uma definição “oficial” para uma fonte termal, a maioria das definições encontradas apontam para “uma nascente natural cuja água tem uma temperatura mais elevada que a do corpo humano (normalmente entre 36,5 °C e 37,5 °C ).

A água quente trazida à superfície chega entre 6,5 °C e 8,3 °C ou mais acima da temperatura ambiente. A temperatura é maior na medida que aumenta a profundidade, por causa da pressão ambiente.

DESATIVAÇÃO

Segundo a prefeita Márcia Moura (PMDB), a ideia do termas é interessante e lembra que Três Lagoas tem recursos hídricos em abundância. O município é banhado pelos rios Sucuriú e Paraná. No entanto, a área pertence à Prefeitura, mas o poço é da Petrobras e ainda está sob concessão da Sanesul.

As articulações para despertar interesse da iniciativa privada e assegurar investimentos na construção de um clube termal devem ser apressadas, já que o próximo passo é a desativação. Contribui para retardar a desativação o fato de a Petrobras dispor de apenas duas sondas para lacrar poços de grande profundidade. O equipamento para a operação estaria disponível somente em setembro.

“Se o poço fechar acabou a nossa chance de ter um termas em nossa cidade, devemos viabilizar a construção desse empreendimento já que temos esse recurso da natureza, vamos investir nessa ideia”, afirma a prefeita.

Segundo Márcia Moura, há interesse por parte de um empresário da rede hoteleira da região da Pousada do Rio Quente com experiência na área. “Muito breve esse empresário deve apresentar um projeto obedecendo toda a legalidade ambiental para a construção do termas, devemos ser rápidos para não perder esta oportunidade”, diz a prefeita, que analisa também a possibilidade de uma PPP (Parceria Público Privada).

Registro geral do Poço do Palmito. (Fotos: Elisângela Ramos)

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