10/12/2018 15h02

Em todas as situações, as mulheres foram agredidas e ameaçadas por seus companheiros

Gisele Berto

Na redação do Perfil News, assim como em vários outros veículos de comunicação, temos um rádio do tipo PX que assinala as ocorrências policiais conforme elas são encaminhadas ao Copom.

Durante todo o dia, ouvimos casos que requerem atuação policial. E, na absoluta maioria dos casos, as chamadas se referem a violência doméstica.

Neste final de semana, entre sexta-feira, 7, e domingo, foram registradas seis ocorrências no tipo em Três Lagoas. Os números se tornam ainda mais assustadores se pensarmos que a maior parte das vítimas não dá queixa contra o companheiro.

“Se você chamar a polícia e eu for preso, quando eu sair e te mato”

Em uma das agressões relatadas, D.A.S.S, de 75 anos, foi agredida com uma cadeira pelo marido, de 64 anos. Moradores do Cinturão Verde, eles já tinham brigado antes. D., que apresentava várias lesões nos braços e pernas, disse que só não tinha denunciado o marido antes porque foi ameaçada. “Se você chamar a polícia e eu for preso, quando eu sair eu te mato”, teria dito o homem.

Em outro caso, L. T. J. S, 30 anos, precisou se trancar no banheiro para fugir da fúria do marido. Ela usou o celular para chamar a polícia.

Para o resgate, no Jardim Carandá, a polícia enfrentou obstáculos, como muro de mais de dois metros de altura, cerca elétrica, portão resistente e o cachorro Pit Bull da família. Os policiais precisaram contar com o apoio da força tática, que usou escudo balístico para poder entrar na casa.

O homem foi abordado e rendido na área externa da casa. Com os policiais ele não mostrou a fúria que mostrava contra a mulher.

Os policiais encontraram a mulher dentro do banheiro. Ela contou que o homem deu socos em seu rosto e fez ameaças, dizendo que pegaria a arma que estava no carro e a mataria.

“Você que durma com um olho aberto, vou arrancar sua cabeça”

Não são apenas os homens casados que espancam e ameaçam suas esposas. No Jardim Flamboyant, inconformado com o fim do relacionamento, E.J.M, de 34 anos, ameaça a ex, J.C.M.S, de 28 anos, pessoalmente e por mensagens via celular.

Neste final de semana o homem foi até a casa da ex e disse a ela que “durma com o olho aberto e o outro fechado, porque senão você pode acordar morta”. Continuou, dizendo que iria “arrancar sua cabeça”. E começou a agredir a mulher, que pediu medidas protetivas para a polícia.

O homem disse, ainda, que vai matar a mulher e depois se matar, pois “pra cadeia ele não vai”.

Outro homem, desta vez no Jardim Guaporé, também agrediu sua ex-mulher por não aceitar o fim do relacionamento.

J.J.S, de 35 anos, seguiu a ex, que estava em um bar com as amigas, e esperou que ela fosse ao banheiro. Então, seguiu a mulher e começou a dar socos e tentou enforcá-la.

Dando carona ao inimigo

Um homem embriagado, que estava voltando para casa na carona da moto da mulher, pediu para ela parar o veículo e começou a espancá-la no meio da rua. Puxou seus cabelos, seu braço e tentou enforcá-la. Ela conseguiu se livrar do agressor e correu para pedir ajuda no 2º Batalhão de Polícia Militar.

Ele ainda tentou ir atrás da mulher, que pedia socorro. Pessoas que estavam na rua conseguiram segurá-lo para a mulher fugir.

Ele sempre volta “porque tem saudade dos filhos”

Outro caso que chamou a atenção foi o de F.S.S, 26 anos. Mãe de duas crianças, um de oito anos e outra de três, a mulher procurou proteção policial depois que teve uma discussão com seu companheiro, V.S.P, 31 anos.

De mãos dadas com as crianças, F. saiu de casa a pé. Quando chegou perto da Delegacia Regional, foi alcançada pelo companheiro, que a seguiu de carro. Na presença dos filhos, começou a espancar a mulher na rua, derrubando-a no chão, chutando seu corpo e arrastando-a à força. Depois, subiu no carro e foi embora.

F. informou à polícia que convive com D. há 12 anos e, ao longo desse tempo, sempre foi agredida, e que o companheiro já foi preso por violência doméstica. Ainda segundo a mulher, ela sempre reata o relacionamento com V. pois ele a procura porque sente saudades dos filhos.

Desta vez, entretanto, a mulher decidiu que acabou, disse que teme pela sua segurança e que vai processar o companheiro.

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