28/03/2012 15h06 – Atualizado em 28/03/2012 15h06

Ao completar 92 anos, três-lagoense que protagonizou a tomada de Monte Castelo, relembra a II Guerra Mundial

Ele conta os momentos que passou e a vontade de voltar vivo para o Brasil depois de nove meses de batalha na Itália

Rafael Furlan

Um confronto militar que ocorreu entre os anos de 1939 e 1945 e que teve repercussão planetária trouxe muita dor e sofrimento para muitas famílias. A Segunda Guerra Mundial, como é retratada nos livros de história, acabou graças a união das forças aliadas, incluindo o Brasil, que montou a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para impedir o avanço do nazismo. A atuação dos combatentes brasileiros se concentrou na Itália, resultando em um dos fatos mais comemorados, a tomada de Monte Castelo.

Em Três Lagoas, Aroldino Batista Fernandes, que completou 92 anos neste 28 de março, um dos pracinhas destacados para integrar a FEB, conta os momentos que passou na Itália e também como ele protagonizou a tomada de Monte Castelo ocupada pelos nazistas.

“Fui criado no município de Três Lagoas e sai da cidade de Aquidauana para ir até a Itália. Aqui em Três Lagoas moro há 54 anos e já vi de tudo. Sempre trabalhei na roça e foi muito bom eu ter ido para a Itália, aprendi muito lá”.

Ele conta também como ficou sabendo que iria servir o exército. “Foi um sorteio no ano de 1941. Eu já morava em outra cidade. Era para meu irmão ir, mas fiquei com dó da minha mãe e me inscrevi para servir o exército. Era muito fácil naquela época. A pessoa ficava um ano e depois voltada para trabalhar na roça. No ano de 1942 e em 1943 declarou-se guerra e como eu tinha me apresentado como voluntário, eu fui convocado”, ressalta.

Aroldino nos seus 92 anos de idade mantém viva uma auto-estima e uma vontade de viver que impressiona qualquer um. Sua memória e as fotografias guardadas trazem na recordação momentos que nunca serão apagados.

“O meu navio saiu do Rio de Janeiro para a Itália. No meu grupo tinha 682 homens. Passei 16 dias e 16 noites no navio, mas valeu à pena, pois lutar pela minha pátria é a melhor coisa que tem. Lembro como se fosse hoje, a comida os americanos que forneciam e todo o nosso armamento. Eu fiquei nove meses lá e aprendi muito. Morreram muitos brasileiros, inclusive meus amigos, mas hoje falo com orgulho que eu fui um dos poucos que tenho essa história para contar”.

Sofrimento

No período que Aroldino passou na guerra, existia o toque do silêncio, onde eles não poderiam dormir e de hora em hora uma pessoa deveria atirar para não deixar a equipe dormir. “A cada uma hora tinha um tiro. Nós dormíamos em revezamento, ou seja, três horas por noite apenas. Quando eu voltei da guerra e casei, eu falava para minha mulher não me chamar a noite pois eu fiquei com uma impressão na cabeça de ouvir o meu nome e atirar. Foi horrível e lamentável”.

Neste período o frio dominada a região da Itália. Todos os cobertores, mantas, e casacos de lã eram fornecidos pelos americanos. “Eu tinha 24 anos na época e era muito interessante que os aviões soltavam panfletos falando que nós éramos antropófagos, isso gerava preconceito com o povo brasileiro”.

Volta para o Brasil

O ex-pracinha da FEB diz que na volta ao Brasil, a primeira providência a ser feita foi visitar no hospital do Rio de Janeiro os seus amigos que conheceu na guerra, cada um de um Estado do nosso Brasil. “Foi muito triste, não gosto nem de falar sobre isso. Sofri muito ao ver eles sem pernas, sem braços e todos feridos. Agradeço muito a Deus por eu ter voltado ao Brasil. Hoje mantenho contato com alguns amigos que estão vivos e que participaram da guerra”, finaliza.

O Perfil News questionou o ex combatente sobre a paixão pela pátria e a vontade de participar de outra guerra. Para ele, “se tivesse outra guerra eu iria. Pena que hoje tenho 92 anos e não consigo. Eu amo a minha pátria. A Mãe Pátria precisa ser tratada com respeito”, Conclui.

Para ver o vídeo dessa reportagem, assista ao programa Perfil News, no SBT MS, no próximo sábado, a partir das 18h10.

Aroldino ficou nove meses na Itália. (Foto: Maycon Almeida

Fotos do álbum de recordações registradas por Aroldino. (Foto: Maycon Almeida)

Aroldino com 25 anos de idade
Foto: Maycon Almeida

Mesmo com 92 anos de idade, a paixão pela Pátria não acaba nunca. (Foto: Maycon Almeida)

Retratos de amigos que foram servir o País. (Foto: Maycon Almeida)

Ele olha com saudades as fotos do tempo que serviu a Força Expedicionária Brasileira. Foto: Maycon Almeida

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