A atleta paralímpica três-lagoense Silvânia Costa conta dois momentos como os mais desafiadores da sua carreira: o primeiro, quando nasceu seu segundo filho, o que a manteve afastada dos treinamentos. E o segundo, mais recente, quando foi pega em um exame antidoping, em 2019, por uso de metilhexanamina.

“O Tribunal não quer saber se você tomou alguma coisa de propósito ou não. Eles dizem que o atleta é responsável por tudo o que entra no corpo, mesmo que a gente não tenha intenção”, lamenta. “Quando fiquei sabendo do doping não acreditava. Porque eu não tomei nada de diferente dos meus suplementos autorizados. Fiquei puxando pela memória e lembrei de uma prova em que eu pedi para o guia dar o meu suplemento, que estava na minha bolsa. Aí pegamos as imagens das câmeras e vimos que ele me deu o suplemento dele, que tinha a substância proibida”, conta. Ela estava com o guia havia apenas três meses.

Silvânia acabou suspensa por 20 meses, enquanto seu guia à época, Francisco Orlandes da Silva, pegou quatro anos. Depois desse período afastada das pistas, Silvânia comemora a autorização de retorno aos treinos, em fevereiro.

Com apenas 5% da visão, Silvânia é a única atleta paralímpica a saltar acima de 5m. A atual recordista mundial de salto em distância (5m46), foi campeã dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Para-Panamericana Toronto 2015 e Mundial 2015. Foi eleita por voto popular a melhor atleta paralímpica do Brasil por dois anos seguidos, em 2015/2016.

E agora, começa a preparação para as próximas Paralimpíadas, no Japão “Os obstáculos só me deixaram mais forte. Estou preparada para representar meu país novamente e estou me dedicando cada vez mais”.

Que venha Tóquio!

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