29/06/2017 10h08

Para os corretores de imóveis da cidade, dois fatores influenciam o reajuste negativo. A grande oferta de imóveis e O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que registra reajuste negativo nos últimos meses no Brasil

Flávio Veras

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado para reajustar a maioria dos contratos imobiliários, teve deflação de 0,67% em junho após encerrar maio com variação negativa de 0,93%. Em Três Lagoas, o fenômeno é o mesmo. Para os corretores de imóveis da cidade, dois fatores influenciam o reajuste negativo. O primeiro, a grande oferta de imóveis e o segundo, o IGP-M em queda.

Os dados são da Fundação Getulio Vargas (FGV). Em junho de 2016, a variação foi de 1,69%. Já a acumulada em 2017, até junho, é de -1,95%. Em 12 meses, é de -0,78%.

De acordo com o delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), além da deflação dos valores causadas pela queda do IGP-M, também existe hoje uma oferta muito grande de imóveis.

“Há três, quatro anos, por conta das obras da Fibria e da UNF3, houve aqui um ‘boom’ imobiliário. Uma casa por exemplo que custava R$ 1 mil, o cliente pagava até R$ 1.200. Ele próprio aumentava o valor para assegurar o contrato do imóvel. Porém, hoje uma casa ofertada por esse preço não aluga. Então, temos que baixar para no mínimo R$ 700, pois podemos correr o risco de ficarmos com o imóvel fechado”, explicou.

Outro fator importante que ele comentou que, hoje é mais interessante comprar um imóvel. Devida a baixa procura, o consumidor tem poder de barganha e pode ser beneficiado na negociação. “Hoje as vendas estão difíceis. Portanto, aconselho que se, as pessoas tiveram um dinheiro e queiram investir, este é o momento, pois, sabemos como é o mercado e amanhã possa estar mais caro”, aconselhou.

PESQUISA

O índice passou a registrar deflação desde abril deste ano, quando atingiu a menor taxa mensal desde 1989, início da série histórica (-1,1%).
O IGP-M é calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.

ATACADO E VAREJO

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede os preços no atacado e que responde a 60% no cálculo do IGP-M, passou de -1,56% em maio para -1,22% em junho.

Outro subíndice que também desacelerou foi o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), relativo aos preços no varejo, que responde a 30%, saiu de 0,29% em maio para -0,08% em junho.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que também é usado para calcular o IGP-M, mas com peso menor do que os outros subíndices, passou de 0,13% para 1,36%.

Devido a grande oferta, hoje o investidor tem poder de barganha também na compra dos imóveis(Foto: Lucas Gustavo/Perfil News)

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