25/09/2013 14h25 – Atualizado em 25/09/2013 14h25

Inquérito com indiciamento da vereadora já foi encaminhado ao juiz da 2ª Vara Criminal e se condenada pode pegar até 1 ano de prisão

Rancho servia para dar abrigo a elementos foragidos da justiça, onde inclusive hospedou, Nilson Inácio Vieira, que matou com vários tiros a ex-esposa, Dayane Priscila de Lima Santos, e após 22 dias cometeu suicídio nas proximidades da propriedade rural

Ricardo Ojeda

Após trinta dias de investigação, o delegado Ailton Pereira, do 1º Distrito Policial já concluiu o inquérito, referente à apreensão de mais de 200 quilos de maconha no rancho de propriedade da família da vereadora Marisa Rocha (PSB), ocorrida no dia 26 de agosto passado.

Na ocasião, Rafael Barbosa Gedro, de 20 anos e Rubens Conceição de Oliveira, de 33 anos, foram presos em flagrante pela Polícia Militar. Durante a ação dos policiais, outros dois elementos conseguiram fugir do local.

COLETIVA

Diante dos fatos a vereadora Marisa Rocha convocou a imprensa para uma entrevista coletiva, realizada na sala de reuniões da Câmara Municipal. Na oportunidade a parlamentar três-lagoense reiterou não que conhecia nenhum dos elementos presos, afirmando que conheceu apenas o Rafael, isso quando ele era criança e que, depois disso não teve mais contato com ele.

Durante a coletiva, a vereadora foi firme e categórica, afirmando que não sabia de nada da apreensão das drogas em seu rancho.

CRIME POR FAVORECIMENTO

Mas, as investigações conduzidas pelo delegado Ailton Pereira derrubou a versão apresentada pela vereadora. Segundo o policial, ela será indiciada pelo artigo 348 do código penal, por favorecimento pessoal, dar proteção às pessoas foragidas da justiça. Se condenada, Marisa Rocha pode pegar até 1 ano de prisão. O inquérito já encaminhado ao juiz titular da 2ª Vara Criminal, Ronaldo Gonçalves Onofri.

INFORMAÇÕES OMITIDAS

De acordo com Pereira, 25 pessoas foram ouvidas, onde ele pode constatar que a vereadora omitiu informações apresentadas à imprensa e em seu depoimento à polícia, concedida na segunda-feira passada, na presença de seu advogado.

Nas declarações feitas ao delegado, Marisa disse que conhecia apenas, o Jurandi de Jesus Olímpio Filho, vulgo Novato, que foi contratado temporariamente para trabalhar de caseiro na propriedade.

FAVORECIMENTO

De acordo com o delegado, durante a operação da Polícia Militar em agosto, Jurandir, acompanhado de Ludson Leonardo Mendes, o Janaúba, conseguiram escapar do cerco policial. “O Ludson é foragido da Justiça, ele é condenado por tráfico e porte de arma”, afirmou.

“As investigações não associa a vereadora ao tráfico, e por isso ela não será responsabilizada pela droga apreendida. Mas, por outro lado, a robustez das provas, conseguidas nos depoimentos das testemunhas alicerça o favorecimento pessoal, às pessoas foragidas da justiça. Isso é crime””, disse o delegado.

ESCONDERIJO DE FORAGIDOS

Nas declarações das testemunhas foi possível descobrir que o rancho servia para dar abrigo a elementos foragidos da justiça, como o caso homicida, Nilson Inácio Vieira, que matou a tiros, a ex-esposa, Dayane Priscila de Lima Santos, de 20 anos, na noite de domingo, 23 de junho. O crime aconteceu em uma residência, localizada na rua Bernardino Antônio Leite, bairro Santa Rita. Segundo o delegado, Vieira ficou escondido no rancho durante uns vinte dias.

Ele cometeu suicídio no dia 15 de julho, exatos 22 dias após assassinar a ex-esposa. Seu corpo foi encontrado às margens da BR 158, aproximadamente uns 1.500 metros do rancho onde estava escondido.

PICADO DE COBRA

A robustez das provas obtidas durante as investigações atestam que os elementos estavam no rancho há uns três meses. Para embasar a afirmação, os investigadores descobriram que Ludson Leonardo Mendes, o Janaúba, procurou atendimento médico no hospital Auxiliadora ao ser picado por uma cobra jararaca, quando fazia tarefas da propriedade. Esse fato aconteceu um julho.

Além disso, testemunhas disseram que ele constantemente utilizava a embarcação do rancho para vir ao balneário municipal buscar ração para os animais.

Outro fato que complica a situação de Marisa Rocha, é que em seu depoimento à polícia ela confirmou que foi a propriedade levar mantimentos para o caseiro, mas não confirmou a presença dos foragidas da justiça, versão que foi derrubada pela investigação.

A vereadora Marisa Rocha (PSB) durante coletiva à imprensa realizada no mês passado, convocada por ela para falar que não sabia de nada que acontecia na propriedade rural de sua família (Foto: Ricardo Ojeda/Arquivo)

Rubens Conceição de Oliveira, de 33 anos e Rafael Barbosa Gedro, de 20 anos foram presos em flagrante pela Polícia Militar com 200 quilos de maconha no rancho da vereadora (Foto: Arquivo)

Logo após a coletiva da vereadora a Polícia Civil convocou a imprensa para informar que as investigações seriam conduzidas pelo delegado Ailton Pereira (Foto: Ricardo Ojeda/Arquivo)

Rancho localizado nas proximidades das margens do Rio Paraná servia de esconderijo de foragidos da Justiça

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