08/03/2012 20h14 – Atualizado em 08/03/2012 20h14

Especialistas se reuniram em São Paulo para debater as plantações de nova geração

Projeto Nova Geração de Plantios, da Rede WWF, realizou em SP seu encontro anual com especialistas, em evento organizado em parceria com a Fibria

Da Redação

Na última segunda-feira, dia 5 de março, mais de 70 especialistas de diversos países – Finlândia, África do Sul, Inglaterra, Portugal, França, Estados Unidos, Malásia, Indonésia, Chile, Uruguai, entre outros – se reuniram em São Paulo para discutir como as plantações florestais podem contribuir para a manutenção dos serviços dos ecossistemas e ao mesmo tempo prover recursos para aten­der o consumo de uma população cada vez mais crescente.

A ocasião foi o encontro anual do projeto New Generation Plantations (NGP – Nova Geração de Plantios), desenvolvido pelo WWF Internacional e trazido ao país pelo WWF-Brasil.

NOVA GERAÇÃO DE PLANTIOS

O conceito Nova Geração de Plantios apresenta um modelo ideal de manejo onde as plantações florestais mantêm a integridade dos ecossistemas e são desenvolvidas por meio de processos de participação efetiva das partes interessadas com vistas à conservação ambiental e contribuição para o crescimento econômico.

“O mundo precisará cada vez mais de fibra, como a madeira, e combustível, e as florestas plantadas são uma boa alternativa para suprir essa demanda de forma responsável”, afirmou Mauro Armelin, coordenador do programa Amazônia do WWF-Brasil.

O PROJETO

O projeto NGP é uma plataforma de parceiros, incluindo o WWF, empresas e governos de todo o mundo, que trabalham em conjunto para analisar o papel social, ambiental, econômico e cultural das plantações, desenvolver e divulgar melhores práticas nas plantações.

O objetivo é melhorar as plantações para serem compatíveis com a conservação da biodiversidade e ecossistemas e com as necessidades humanas a partir de exemplos já existentes e compartilhar esta informação.

“O NGP é uma plataforma de discussão para melhores práticas sociais e ambientais que pretende também influenciar políticas públicas de plantio florestal”, ressaltou Armelin.

“O WWF acredita que o conceito NGP pode ter um papel fundamental na manutenção do capital natural do planeta”, afirmou o diretor de florestas do WWF-Internacional, Rodney Taylor. “Os produtos florestais provenientes de plantaçõess manejadas com boas práticas, têm um impacto muito menor na natureza que alternativas como o aço, concreto e plástico”, completou Taylor.

João Augusti, gerente de Meio Ambiente Florestal da Fibria, destaca que “com a participação da Fibria no Projeto Nova Geração de Plantios, a empresa se sente ainda mais estimulada a ampliar sua produção e avançar em inovações que gerem benefícios sociais e ambientais em suas áreas de influência. O projeto está alinhado à gestão florestal adotada pela Fibria em seus 1,080 milhão hectares de base florestal, dos quais 405 mil hectares são destinados à conservação ambiental”.

CASOS DE ESTUDO NO BRASIL

A Fibria foi a primeira empresa do setor florestal a se engajar no projeto no Brasil com os seus plantios de eucalipto. A empresa atua com o conceito de mosaicos de florestas sustentáveis buscando garantir os resultados de produção e ao mesmo tempo proteger as bacias hidrográficas, prevenir a erosão do solo e da água, degradação e ciclos de nutrientes, fornecer produtos florestais não-madeireiros, e servir como habitat para muitas espécies protegidas e ameaçadas de extinção.

A Veracel Celulose SA, joint venture entre as empresas Stora Enso e a Fibria, é o estado da arte em fábrica de celulose e plantio de eucalipto no sul da Bahia, Brasil. Na sua plantação de árvores a Veracel adotou um modelo de uso exclusivo da terra, baseado na abordagem mosaico de paisagem que combina o crescimento dos eucaliptos para uso industrial e conservação e restauração da Mata Atlântica nativa.

BOAS PRÁTICAS

Plantações bem concebidas e geridas podem ser benéficas ao meio ambiente em áreas degradadas, como os pastos exauridos. Por outro lado, quando mal geridas ou mal localizadas, elas podem causar danos significativos aos habitats naturais e serviços dos ecossistemas, tais como água e nutrientes, ciclos, estoque de carbono e os valores da biodiversidade.

No entanto, o projeto NGP mostra que os impactos negativos podem ser reduzidos com boas práticas. Alguns exemplos:

CICLO DA ÁGUA

Nas regiões áridas e semi-áridas, plantações podem reduzir a quantidade de água disponível na bacia levando a secar de córregos e gerar uma menor disponibilidade de água subterrânea potável. A experiência NGP sugere que o estabelecimento de zonas ribeirinhas e de minimização de herbicida e aplicação de fertilizantes, especialmente durante períodos úmidos reduziram as mudanças no fluxo de água.

OS NUTRIENTES DO SOLO

O estabelecimento de uma plantação pode influenciar o ciclo de nutrientes em formas positivas e negativas. Os efeitos negativos incluem a perturbação da estrutura do solo e os fertilizantes podem ser prejudiciais para a disponibilidade de nutrientes, o que pode ser resolvido com boas práticas como a cuidadosa combinação de espécies nas plantações.

AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A conversão de florestas naturais em plantações muitas vezes acelera a mudança climática, aumentando as emissões de carbono. No entanto, o estabelecimento de uma plantação em terra não-florestada normalmente aumenta estoques terrestres de carbono e reduz as emissões de metano para a atmosfera em locais onde eles substituem a pecuária. As plantações são susceptíveis de ter um impacto positivo sobre o clima, desde que sejam geridos de forma sustentável e não substituem florestas naturais ou semi-natural.

Plantação de eucalipto. (Foto: Cdentro de Inteligência em Florestas)

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