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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Mato Grosso é apontado como centro de falsificação de grifes

21/10/2002 15h06 – Atualizado em 21/10/2002 15h06

Mato Grosso é o Estado brasileiro considerado pela Polícia como sendo um dos um principais centros de produção de grifes falsificadas, ocupando lugar de destaque em um mercado que está gerando perdas anuais de 12 bilhões de dólares, segundo dados revelados no seminário da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no mês de agosto, em Brasília. A posição de Mato Grosso no “ranking das falsificações” surgiu da discussão sobre os prejuízos causados aos empresários brasileiros. Em 2001, a atuação de falsários e contrabandistas impediu que a Receita Federal arrecadasse cerca de R$ 2,5 bilhões em impostos.

O levantamento mostra que a indústria da falsificação “made in Brazil” atingiu todos os limites. De lâmina de barbear, preservativo, lâmpada, bebida, tênis, CD e pilha a cigarro, perfume, talão de zona azul e cédulas de identidade. Todos os dias milhares de brasileiros adquirem produtos piratas cada vez mais produzidos no País mesmo, em fábricas de fundo de quintal, ou falsificados e contrabandeados do exterior. A grande maioria sabe exatamente o que está comprando.

A maior parte dos produtos falsificados ainda chega ao Brasil vinda da China, Cingapura, Coréia e Malásia. Em contêineres, as mercadorias são desembarcadas nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Seguem para o Paraguai e voltam depois ao Brasil como contrabando.

Mas nas grandes cidades brasileiras têm aumentado as chamadas fábricas de “fundo de quintal”. Em especial as que preparam bebidas e perfumes. Há ainda a indústria nacional do papel que falsifica dinheiro, tíquetes refeição, vales transporte, bilhetes de trem, carteira nacional de habilitação, identidade, CPF e todo o tipo de atestado médico. Em Mato Grosso, a Delegacia de Estelionato prendeu no sábado dois falsos despachantes que cobravam cerca de R$ 500,00 por uma carteira de motorista falsa.

São Paulo e Rio, pelo número de ambulantes e lojas clandestinas, são apontados pela Polícia Federal como os mais “ativos” no ranking da venda dos produtos falsificados. A recente alta do dólar tem atraído os compradores locais e de outros Estados, que costumavam ir ao Paraguai, para São Paulo. Goiás ocupa a terceira posição como distribuidor de mercadorias contrabandeadas para o Nordeste e Mato Grosso e um dos principais centros de produção de grifes. Junto das grifes famosas no exterior estão aparecendo também as nacionais mais cotadas.

Os ambulantes e as pequenas lojas de “produtos importados” vendem cartelas de lâminas de barbear Gillatte. A tentativa é “enganar” o comprador como se estivessem vendendo material original da Gilette, segundo o jornal “O Estado de São Paulo”. As escovas de dentes Colgote passam como se fossem Colgate. As lâmpadas Philips falsificadas têm dois “ll”.

Os tênis falsificados da Nike têm a marca de fabricação colocada sobre o logotipo da multinacional. “Na venda, o ambulante ou dono da loja tira o velcro com a marca do falso fabricante e entrega o tênis. O comprador sai como se estivesse levando a grife conhecida”.

Em São Paulo, a indústria da bebida falsificada está cada vez mais ativa. Bares, danceterias, restaurantes, vendem vodca, conhaque, Campari, uísque, cachaça e licor falsificados em fábricas de fundo de quintal. O Amarula, licor sul-africano, é feito no País e vendido em bares e danceterias da capital em pequenos copos de plástico. Para produzir os uísques, os falsários misturam bebidas baratas e engarrafam em cascos com rótulos de marca conhecida. A higiene não existe para estes engarrafadores de bebidas. As garrafas são até compradas dos catadores de papel e de lixo. Falsificar bebida é considerado crime hediondo e, se condenados, os autores não terão o benefício da Lei das Execuções Penais. Deverão cumprir a pena integralmente.

Os cigarros de segunda linha são os mais falsificados. Um deles, o Derbi, da Souza Cruz, é o campeão. Os cigarros são preparados com tabaco de quinta categoria. Os selos nos maços também são falsos. O imposto taxado para os cigarros é alto e as quadrilhas, além da sonegação de impostos, lesam o governo na adulteração do selo. Segundo a polícia, já há fábricas desse tipo de produto sendo investigadas no Rio.

Os perfumes também estão na relação da indústria da falsificação. Os camelôs e pessoas que se apresentam como vendedoras de produtos contrabandeados oferecem Azarro, Ferrari, Dolce Gabana, Gabriela Sabatini, Couros por R$ 20,00 a R$ 30,00 o frasco.

Fonte: 24horasnews

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