22/10/2002 10h39 – Atualizado em 22/10/2002 10h39
Pesquisadores italianos modificaram esperma suíno para desenvolver uma raça portadora de genes humanos no coração, fígado e rins. Com isso, eles esperam criar porcos que possam fornecer órgãos transplantáveis para o homem.
Cientistas da Universidade de Milão misturaram esperma de porco com o DNA de um gene humano conhecido como “fator de aceleração do enfraquecimento” (DAF, na sigla em inglês), usando depois o esperma modificado para fertilizar óvulos.
“Obtivemos, com alta eficácia e baixo custo, porcos geneticamente modificados portadores da proteína humana”, disse Marialuisa Lavitrano, pesquisadora da Universidade de Milão e principal autora do estudo, publicado ontem na revista “PNAS”.
Lavitrano disse que 205 porcos de 20 ninhadas foram produzidos pela técnica do esperma modificado e que os genes humanos estavam presentes em 20% a 50% dos leitões.
Testes posteriores revelaram que os genes humanos estavam presentes nos órgãos centrais dos animais e que seriam passados para as futuras gerações de porcos. No entanto, os órgãos dos animais em teste ainda não estão prontos para serem transplantados no homem, já que existem ainda genes de porco que causariam rejeição.
Porém, ela considera que a técnica mostra que é possível desenvolver animais com órgãos que não serão rejeitados pelo sistema imunológico humano, acrescentando genes humanos ao esperma do porco. “Eles podem ser o ponto de partida para novas experiências de transgênese (transferência de genes).”
Cientistas médicos têm dedicado trabalho de pesquisa ao estudo de uma forma de modificar genes de porco para que os animais modificados possam ser usados na produção de órgãos tolerados pelo corpo humano.
O objetivo é criar uma raça especial de porcos com órgãos utilizáveis em transplantes de fígado, rim e coração para o homem.
Espera-se que o recurso aos órgãos de porco atenue a falta de órgãos humanos disponíveis para transplante, já que se estima que cerca de 4.000 pessoas morram todos os anos enquanto esperam por um doador.
Fonte: Agência Lusa




