25/10/2002 09h58 – Atualizado em 25/10/2002 09h58
BAGDAD (CNN) – O Governo do Iraque anunciou, nesta quinta-feira, a expulsão da chefe da redação da CNN em Bagdad, Jane Arraf, e de outros jornalistas estrangeiros, além da adoção de rígidas restrições para conceder vistos de entrada a correspondentes internacionais a partir de agora.
Arraf e cinco outros funcionários da CNN que não são iraquianos, incluindo os correspondentes Nic Robertson e Rym Brahimi, foram informados que devem deixar o país até a próxima segunda-feira.
Arraf é a única correspondente ocidental com base permanente em Bagdad, onde a CNN mantém uma redação há 12 anos.
Essa determinação é uma resposta do Governo iraquiano que não concorda com as reportagens realizadas pelos diversos jornalistas estrangeiros que trabalham no país.
Funcionários iraquianos manifestaram particular desacordo com informes da CNN, especificamente na cobertura desta semana de um protesto contra o Governo, realizado na frente do prédio do Ministério da Informação, em Bagdad.
O Governo iraquiano também se opõe à presença de equipes da CNN no norte do país, em região controlada pelos curdos.
Bagdad convidou centenas de jornalistas estrangeiros para cobrir o referendo de 15 de outubro, cujo resultado foi de um apoio unânime da população ao presidente Saddam Hussein.
O Governo do Iraque ainda informou que, depois das expulsões, irá permitir um pequeno número de correspondentes estrangeiros no país, sob novas e rígidas regras.
Essas novas regras limitam as organizações jornalísticas estrangeiras a manter apenas um funcionário não-iraquiano no país e cada jornalista em visita poderá permanecer no Iraque por um máximo de 10 dias por vez.
O chefe executivo de notícias da CNN, Eason Jordan, considerou a expulsão dos jornalistas “uma medida perversa que irá reduzir drasticamente o conhecimento do mundo sobre o que acontece no Iraque”.
Jordan afirmou que a CNN dá todo seu apoio a Arraf e que toda a cobertura realizada no Iraque é “precisa, justa e franca”.
O chefe da CNN também considerou um absurdo as alegações de Bagdad de que a empresa realiza um serviço de propaganda a favor do Governo dos Estados Unidos.
Segundo Jordan, “a CNN continua comprometida a informar tudo o que for possível sobre o Iraque e não abrirá mão de seus princípios jornalísticos em troca de acesso a qualquer país”.
Fonte: CNN





