28/10/2002 15h43 – Atualizado em 28/10/2002 15h43
Confirmando as previsões extra-oficiais da assistência técnica, a soja no município de Dourados deverá ter uma área de 145 mil hectares neste ano agrícola, correspondendo a um aumento de 21% em relação a 2001/2002. A conclusão é da Comissão Regional de Estatísticas Agropecuárias, do IBGE, em sua primeira reunião de avaliação da safra 2002/2003. Os agricultores migraram do arroz irrigado e, principalmente do milho para aquela oleaginosa diante das boas perspectivas do mercado interno e externo quanto ao seu preço a partir de março do próximo ano.
Na safra passada, os produtores douradenses cultivaram 120 mil hectares de soja. Por causa da alta progressiva do dólar, eles conseguiram boa capitalização com a produção, vendendo, por exemplo, a saca a R$ 44,50 na quarta-feira passada. Só 5% da produção ainda estão disponíveis nas mãos dos agricultores. O plantio de 145 mil hectares será uma das maiores áreas de soja de Dourados nos últimos anos, mostrando que o produtor está apostando alto neste grão. Se tudo correr bem, a produção deverá atingir 348 mil toneladas, diante de uma produtividade média de 60 sacas/ha equivalente a 60 sacas. A principal “vítima” da soja será o milho. Tradicionalmente os agricultores não investem no milho de verão. A área maior nas últimas safras foi de 10 mil hectares, mas ela tem regredido, caindo para 3.500 ha em 2001 e para 1.000 hectares em 2002, calculou o IBGE. A falta de chuvas em setembro também concorreu para a redução do plantio deste cereal em Dourados.
Também o arroz irrigado sofreu com a estiagem. O preparo do solo começa em julho, mas foi atrasado devido ao estado de secura das várzeas do município. A área também caiu de 5.200 para 3.600 hectares. Neste caso, os recursos que seriam aplicados no arroz foram destinados para a expansão das lavouras de soja. Já o plantio da mandioca caiu significativamente em Dourados: de 1.000 para 200 hectares, por falta de estímulo do mercado, pois as indústrias de fécula estavam pagando R$ 40 a tonelada. No fim da semana havia previsão de uma melhora no preço, mas o produtor já estava desmotivado.
Fonte: Correio do Estado




