30/10/2002 08h13 – Atualizado em 30/10/2002 08h13
WASHINGTON e LONDRES – Além de se dedicar a esclarecer a opinião pública americana, ontem, de que “Lula não é Fidel Castro e nem Hugo Chávez, mas um verdadeiro democrata”, um alto funcionário do governo dos Estados Unidos acrescentou que embora as relações bilaterais do país com o Brasil “jamais tenham estado tão boas como agora”, o seu governo tem certeza de que “ela vai melhorar ainda mais durante o governo Lula”, através de um diálogo político e um intercâmbio sócio-econômico mais amplos.
A mensagem foi transmitida pelo diretor do Escritório de Assuntos Brasileiros e do Cone Sul, do Departamento de Estado, Jim Carragher, durante uma palestra sobre o futuro das relações entre os países durante o governo Lula. Ela foi promovida pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), uma organização de análises políticas de Washington.
- A melhoria do nosso relacionamento nos levará a realizar consultas mútuas constantemente e numa ampla variedade de fóruns. Nós consideramos o Brasil um parceiro regional e continuaremos a consultá-lo em relação aos assuntos internacionais. É importante e natural ter amplas consultas com o Brasil – afirmou Carragher.
A seu lado, o ex-embaixador dos EUA no Brasil, Anthony Harrington, acrescentou:
- A agenda de Lula é compatível com a dos EUA. É claro que continuaremos a ter disputas comerciais, mas não veremos o Brasil deixar as negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas. Somos um mercado crucial para o Brasil, e vice-versa.
Por sua vez, Bill Perry, conselheiro especial do Secretário de Estado Assistente para Assuntos Hemisféricos, Otto Reich, que também fazia parte da mesa, afirmou à platéia que “Lula está sinceramente comprometido com as reformas fiscais”, e que um dos seus maiores objetivos seria o de mostrar que o PT é capaz de governar:
- Nota-se, por suas declarações, que ele quer fazer tudo certo. Haverá pressões, problemas, e uma boa dose de dores de cabeça. Mas esse é o desafio que ele abraça.
Carragher, então, emendou:
- Bom… nós preferimos ter dores de cabeça democráticas do que não democráticas. Nós temos de dar a Lula alguns meses e não apenas algumas semanas (para agir). Ele não é Castro e nem Chávez. É um verdadeiro democrata. Concorreu quatro vezes, perdeu três, e tentou de novo. Isso nos dá uma grande esperança.
Harrington endossou:
- Lula cresceu com o tempo. Ele reconheceu que o país mudou e ele próprio mudou. De fato não é Castro e nem Chávez. Ele perdeu três eleições e aceitou o resultado: é um dos democratas mais persistentes que eu conheço.
Reino Unido divulga nota cumprimentando Lula – Na segunda, o primeiro-ministro britânico Tony Blair cumprimentou Lula pelo telefone e o convidou a visitar o Reino Unido. Mas só ontem, o governo britânico emitiu uma nota oficial sobre a eleição. É que o resultado no Brasil saiu junto com mudanças no gabinete e apenas ontem foram confirmadas as novas atribuições dos ministros parlamentares que atuam na Secretaria de Relações Exteriores.
O deputado Bill Rammell é o novo ministro parlamentar que cuidará de América Latina. Ele substitui o deputado Denis MacShane, que passa ser o ministro encarregado da Europa. E um dos primeiros atos de Rammell foi a nota de congratulação a Lula e ao PT pelo sucesso nas eleições.
Fonte: Jornal O Globo





