30/10/2002 08h23 – Atualizado em 30/10/2002 08h23
MACEIÓ – Seis anos depois da morte do tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor, o empresário Paulo César Farias, e da namorada dele, Suzana Marcolino da Silva, o juiz da 2ª Vara de Crimes Contra a Vida de Maceió, Alberto Jorge Correia de Lima, decidiu que os quatro policiais militares responsáveis pela segurança do empresário vão a júri popular por duplo homicídio qualificado.
Se forem condenados, os militares, que estão na ativa e hoje trabalham na segurança do deputado federal Augusto Farias (irmão de PC), estarão sujeitos a pena de 60 anos de prisão pelos dois assassinatos.
Serão julgados os cabos Reinaldo Correia de Lima Filho e Adeildo Costa dos Santos e os soldados Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva. O juiz pretende realizar o julgamento em dezembro, antes do recesso:
- Eu não tenho bola de cristal para dizer qual dos quatro matou PC e Suzana. A apreciação deste mérito será do Tribunal do Júri. A pronúncia por duplo homicídio qualificado foi mantido porque há indícios suficientes no processo que os PMs foram omissos no trabalho de segurança de Paulo César. A omissão deles concorreu para os assassinatos – disse o juiz.
O promotor Luiz Vasconcellos, que derrubou a tese de crime passional da primeira investigação da polícia com base em laudos emitidos pelo legista Badan Palhares, determinou nova investigação e colheu novas provas até denunciar os quatro policiais e mais quatro funcionários da casa de praia de Guaxuma, onde PC e Suzana foram encontrados mortos no dia 23 de junho de 1996.
Os caseiros Leonino Tenório de Carvalho e sua mulher Marize Vieira de Carvalho, o garçom Genival da Silva França e o vigia Manoel Alfredo da Silva, porém, não vão a julgamento:
- Os quatro funcionários da casa de Guaxuma foram impronunciados por falta de provas suficientes para mandá-los a julgamento. Mas, em qualquer momento que aparecer provas contra eles, podem ser julgados – explicou o juiz.
Já o processo contra Augusto Farias, que foi denunciado pelo promotor como autor intelectual do duplo assassinato, está tramitando na Procuradoria da República, porque o parlamentar tinha direito a foro privilegiado. Como perdeu o mandato de deputado (Augusto não conseguiu a reeleição) o processo vai voltar para o Ministério Público Estadual e o promotor do caso decidirá se mantém ou não a denúncia.
O advogado de defesa dos PMs, José Fragoso Jatobá, anunciou vai entrar com um recurso alegando que os policiais não mataram PC:
- Todo mundo sabe que quem matou Paulo César foi a sua namorada Suzana. No processo tem um conjunto de provas indicando que ela tinha motivos suficientes para matar. Por isso, a defesa não aceita que os seguranças sejam levados a júri – afirmou.
Fonte: Jornal O Globo






