31/10/2002 13h35 – Atualizado em 31/10/2002 13h35
NOVA YORK, EUA – A empresa norte-americana Myriad Genetics anunciou a descoberta de um gene que parece estar diretamente relacionado com a obesidade humana, e seus cientistas afirmaram que seria relativamente fácil combater essa condição com o desenvolvimento de drogas específicas, embora os estudos estivessem ainda em seus estágios iniciais.
A empresa de biotecnologia, com sede em Salt Lake City, disse que o gene, HOB1, também parece fornecer uma importante ligação molecular entre a obesidade e o diabetes.
A descoberta pode ser mais significativa do que a de alguns outros genes já identificados e também relacionados com a obesidade porque a empresa trabalhou rastreando sua prevalência numa população humana e não em estudos com animais – que freqüentemente não têm relevância clínica em humanos.
A empresa fez estudos genéticos em centenas de famílias do estado de Utah, que tem uma população relativamente homogênea, e comparou o DNA de pessoas de uma mesma família que eram obesas com aquele de outras que não o eram.
Muitas famílias de Utah vivem na região há gerações, o que facilitou a pesquisa de pontos em comum entre aqueles que portam o gene que sofreu mutação.
O que não ficou ainda claro é qual a porcentagem de pessoas com o HOB1 que realmente se tornam obesas, embora esse índice pareça ser alto.
A Myriad usou o mesmo tipo de estudos de população nos últimos anos para descobrir duas mutações genéticas que estão associadas com o câncer de mama e o de ovário.
Embora esteja sendo difícil desenvolver drogas contra esses alvos – os genes BRCA1 e BRCA2,a descoberta é útil como ferramenta de diagnóstico.
Quando esses genes são danificados, a pessoa afetada corre alto risco de sofrer de câncer de mama ou de ovário.
A empresa disse que, ao contrário dos genes BRCA, a estrutura do gene modificado da obesidade torna-o capaz de ser atacado com uma pequena molécula de droga, o que significa um comprimido, em vez de uma injeção.
Pode também ser mais fácil desenvolver drogas para compensar a mutação genética porque o gene é muito ativo, em vez de não ser ativo o bastante.
Mesmo assim, a descoberta é apenas o primeiro passo no caminho para rastrear a relação entre o gene e a obesidade. Se a empresa estabeleceu que o gene causa a produção exagerada de uma certa proteína, ainda não se sabe exatamente o que esta proteína faz.
“Uma quantidade substancial de trabalho precisa ser feita antes que possamos entender a biologia por trás da associação entre a obesidade e a mutação genética”, afirmou William Hockett, porta-voz da Myriad.
“É um estágio muito inicial e vai exigir testes clínicos. O papel da Myriad pode ser apenas criar uma droga e mostrar eficácia e então fazer uma parceria com uma grande laboratório farmacêutico”, disse ele.
Fonte:Reuters





