31/10/2002 09h33 – Atualizado em 31/10/2002 09h33
Pelo menos 300 mil menores de idade trabalham em minas na Colômbia, expostos a doenças respiratórias e deformações, disseram na quarta-feira autoridades do setor. “A situação é realmente preocupante. A extração de minérios é uma atividade que requer um esforço físico muito grande,” disse Liliana Obregón, coordenadora do Programa Internacional para a Erradicação do Trabalho Infantil (Ipec), que faz parte da Organização Internacional do Trabalho, um órgão da ONU.
“São crianças que desde os cinco ou sete anos começam a trabalhar nessa atividade, carregando ladrilhos ou jogando o mineral de um lado para outro. Sua vinculação precoce ao trabalho os exclui rapidamente da escolaridade, e isso os impede de mudar sua condição de pobreza,” afirmou Obregón.
O trabalho infantil em minas de ouro, esmeraldas, argila e carvão é uma forma tradicional de complemento da renda familiar na Colômbia, onde 24 dos 40 milhões de habitantes são pobres.
A Colômbia tem uma das situações mais graves de trabalho infantil no continente, superando Peru, Equador e Bolívia, onde 200 mil menores trabalham.
Desde 1996 o país adotou medidas contra o trabalho infantil nas minas. Isso resultou em alguma melhora nas condições de trabalho, mas não serviu para reduzir o número de crianças empregadas nesta atividade, que às vezes são a única fonte de recursos em suas casas.
Obregón disse ser comum que aos 14 anos já haja colombianos empregados pelas mineradoras, mas sem contratos, pagamentos regulares ou direitos trabalhistas, como salário mínimo e previdência.
Fonte: Reuters






