08/11/2002 19h02 – Atualizado em 08/11/2002 19h02
Um escândalo de espionagem na principal companhia sueca de telecomunicações, a Ericsson, ampliou-se hoje, com a suspensão de outros dois funcionários que a empresa acredita terem contribuído para a entrega de segredos do grupo a um serviço de inteligência estrangeiro.
Uma fonte de alto escalão na Ericsson disse que a Rússia era a potência estrangeira envolvida.
A deficitária Telefon AB LM Ericsson é a maior produtora mundial de equipamentos para redes móveis de telecomunicações e está também envolvida no desenvolvimento de radar e sistemas de orientação de mísseis para o JAS-39 Gripen, um caça de alta tecnologia que é o principal avião de combate da Suécia.
A suspensão dos dois funcionários, que a Ericsson identificou apenas como empregados de unidades de desenvolvimento, segue-se à prisão pela polícia, na quarta (6), de dois funcionários –também das unidades de desenvolvimento– e de um ex-funcionário da empresa, por suspeita de espionagem industrial.
“Até agora, os dois não são suspeitos de nenhum crime, mas podem ter violado as regras internas de segurança ou sigilo da Ericsson”, disse a empresa em comunicado.
O principal suspeito, o ex-funcionário, foi detido pela polícia durante um encontro com um agente de inteligência estrangeiro.
É provável que um diplomata russo seja expulso da Suécia como resultado do caso, disse uma fonte nos serviços de inteligência, mas um porta-voz do Ministério do Exterior disse hoje que não houve expulsões até agora.
Henry Stenson, porta-voz da Ericsson, disse que o envolvimento dos dois funcionários suspensos hoje fora descoberto na quarta-feira, mas que a empresa esperou para suspendê-los.
“Eles não são suspeitos de espionagem… mas temos motivos para crer que podem ter passado informações ao principal suspeito”, disse Stenson em entrevista coletiva. “Se nossas suspeitas se comprovarem, é provável que haja causa para demissão”, acrescentou.
Suspeitos detidos
Um tribunal decidiu hoje manter os suecos presos até 22 de novembro, quando o promotor deve apresentar as acusações contra eles ou pedir mais prisões. Os três estão sob custódia porque a polícia teme que eles possam fugir.
O promotor Tomas Lindstrand afirmou em um pedido entregue ao tribunal, cuja cópia foi obtida pela Reuters, que os três eram suspeitos de espionagem grave –um crime contra a segurança nacional– e espionagem industrial também grave.
A Ericsson não informou quais documentos foram obtidos pelos suspeitos, mas uma fonte importante da companhia disse que não parece que tais papéis sejam relacionados a qualquer projeto militar.
O ministério da Justiça da Suécia não comentou o assunto. Nenhum representante na embaixada russa ou em Moscou estava disponível pois é feriado na Rússia.
A Ericsson demitiu recentemente funcionários como parte de um programa de redução de custos destinado a tirar a empresa do vermelho em 2003.
Stenson reiterou que, segundo as melhores informações da companhia, o vazamento dos documentos teve um impacto limitado, mesmo que tenha ocorrido por algum tempo.
Porém o assunto –que gerou dúvidas sobre a segurança da tecnologia da Ericsson– não poderia ter surgido num pior momento para o caça Gripen, que disputa com outras duas aeronaves um contrato de US$ 3,5 bilhões do governo polonês.
O prazo final para a entrega das propostas para o fornecimento de 48 aeronaves de combate é 12 de novembro.
A Saab Aeroespace, uma joint-venture entre a sueca Saab AB e a britânica BAE Systems, que fabrica o Gripen, afirmou que a companhia não foi afetada pelo escândalo. A empresa compete contra o caça francês Mirage e contra o norte-americano F-16, da Lockheed Martin.
O caso é o maior escândalo de espionagem na Suécia desde que um funcionário do grupo de engenharia sueco-suíço ABB foi preso em fevereiro de 2001, sob acusação de espionagem para a Rússia.
O homem foi solto dois dias depois por falta de evidências. Ele retornou a sua antiga função na ABB Power Systems.
Fonte: Reuters





