09/11/2002 13h51 – Atualizado em 09/11/2002 13h51
Brasília – Uma parceria entre o Ibama e o Centro de Excelência em Turismo (Cet) da Universidade de Brasília (UnB), realiza hoje o 1º Seminário de Ecoturismo e Áreas Protegidas. Segundo estudos internacionais, o ecoturismo é um dos segmentos que mais cresce, aumentando cerca de 20% ao ano. E, segundo especialistas, o Brasil tem um enorme potencial não aproveitado nesse segmento.
Uma das palestras do evento foi do coordenador de controle de qualidade ambiental do Ibama, João Câmara, que participou da recente reunião Rio+10, em Joannesburgo, na África do Sul. Naquele encontro foram discutidas diversas políticas internacionais para o desenvolvimento sustentado dos países mais pobres e de preservação dos recursos naturais dessas nações. “Um dos pontos que destacamos foi que os países mais desenvolvidos assumiram o compromisso de doar 0,75% do seu PIB para que os países pobres criassem políticas nesse sentido. Mas, hoje, vemos que esse valor ainda não chega a 0,2%”, comenta Câmara.
Vários fatores têm dificultado a preservação do meio-ambiente em países pobres, como instabilidade política, crime e guerras. “Equacionar esses problemas é essencial para preservar o meio-ambiente como um todo”, diz Câmara. No caso do Brasil, ele explifca que um dos principais obstáculos é a falta de estrutura para o turista e de se criar uma mentalidade nas populações que vivem próximas ou nas Áreas de Proteção Ambiental (Apa´s). “Hoje o Brasil tem 49 parques nacionais, sendo que a maioria não recebe turistas. A França, país menor que o Brasil, tem cerca de 40 desses parques, e a grande maioria tem alguma atração turística”, critica Câmara.
Ele lembrou que o Brasil é o primeiro país do mundo em biodiversidade, o segundo maior em espécies de borboleta e anfíbios e o terceiro em peixes de água doce e mamíferos. “Temos poucos parques em que o visitante possa ter contanto direto com os animais”, diz. O coordenador do Ibama lembra o caso do Parque Nacional de Brasília, ou Água Mineral, que protege diversas espécies da fauna do Cerrado, mas que geralmente só tem conhecida a área das piscinas.
A diretora do Cet, Núbia David Macedo, diz que além das divisas que o ecoturismo traz para o país, há a questão dos empregos. “O turismo no geral e o ecoturismo em particular são atividades econômicas que mais geram empregos em relação ao investimento”, ela afirma. Além disso, um bom projeto de ecoturismo ajuda a preservar e ampliar áreas de proteção ambiental. Segundo Núbia, o governo Lula pode dar um grande passo no combate a pobreza e a fome se investir nesse segmento.
Fonte: Agência Brasil





