09/11/2002 16h57 – Atualizado em 09/11/2002 16h57
BAGDÁ/WASHINGTON – O Iraque adotou uma postura impassível diante da aprovação da resolução da ONU que dá ao país uma última chance de se desarmar, insistindo no sábado que a comunidade internacional, ao adotar a resolução, teria frustrado o plano norte-americano de declarar guerra.
“O Iraque estudará a resolução e então tomará a decisão apropriada”, disse o ministro do Exterior iraquiano, Naji Sabri, no Cairo, após um encontro com seu colega de pasta egípcio, Ahmed Maher.
“O uso do Conselho de Segurança da ONU pelos Estados Unidos como uma forma de encobrir sua agressão contra o Iraque foi frustrada pela comunidade internacional, porque a comunidade internacional não compartilha o mesmo apetite que a maldosa administração em Washington tem por agressão, assassinato e destruição”, disse Sabri.
Já o presidente George W. Bush, ao contrário, alega que a aprovação da resolução após oito semanas de tortuosas negociações nas Nações Unidas é um reconhecimento de sua política em relação ao Iraque.
“O mundo todo agora afirma que não será permitido ao regime fora-da-lei vigente no Iraque construir ou possuir armas químicas, biológicas ou nucleares”, disse Bush em seu pronunciamento radiofônico semanal.
Movida em conjunto pelos Estados Unidos e pela Grã-Bretanha, a resolução teve o consentimento da França e da Rússia e outros países, após Washington ser persuadida a remover do texto uma autorização explícita para o uso da força e o retorno dos inspetores de armas acompanhados de tropas.
A ambigüidade do documento autoriza ambos os lados a considerá-lo uma vitória. Autoridades norte-americanas enfatizaram que nada no documento impede o país de agir militarmente, mas o ministro do Exterior russo, Igor Ivanov, disse que a resolução “fez uma real ameaça de guerra se dissipar.”
O jornal Babel, de propriedade do filho de Saddam Hussein, Uday, disse que Saddam não deve dar aos Estados Unidos uma desculpa para atacar. “O Iraque não tem nada a conceder e os inspetores da ONU são bem-vindos.”
Numa entrevista à rede de TV Al Jazeera, o secretário de Estado norte-americano Colin Powell novamente insinuou que o governo de Saddam poderá sobreviver. “Se o regime iraquiano se livrar destas armas de destruição em massa e cooperar com os inspetores, isto será considerado como uma mudança radical no regime”, disse.
PALÁCIO DE SADDAM
Há mais de 700 lugares que deverão ser inspecionados e os palácios ultra-secretos de Saddam estão na lista. “A princípio é que seja uma inspeção sem aviso. Sairemos de nossos quartéis pela manhã e só então diremos a eles em que direção estaremos indo. Somente quando nós chegarmos ao alvo eles serão avisados de que aquele lugar é o alvo”, disse Hans Blix, chefe dos inspetores de armas da ONU, em entrevista à BBC. Ele e uma pequena equipe devem chegar ao país no próximo dia 18 para montar a estrutura para o trabalho do grupo.
“Nós estaremos desarmados, nós não somos um exército. Eles (os iraquianos) aceitarão porque sentiram que é do interesse deles fazê-lo”.
Fonte: Reuters






