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terça-feira, 21 de abril de 2026

Mesmo o mais simples exercício é eficaz contra o colesterol

09/11/2002 09h19 – Atualizado em 09/11/2002 09h19

BOSTON, EUA – Precisa de mais uma razão para fazer exercícios? Novas pesquisas demonstram que tornam o colesterol menos perigoso, mesmo que a atividade física não seja intensa.

Um estudo publicado na edição desta semana do New England Journal of Medicine descobriu que mesmo o mais simples exercício muda o tamanho e a densidade das proteínas que transportam o colesterol, o que as torna menos danosas. E os benefícios ocorrem ainda que a pessoa permaneça com a mesma quantidade de colesterol e o mesmo peso.

Manter-se ativo traz muitos benefícios à saúde, mas a melhora do colesterol não costuma ser considerada um deles. As pessoas que se exercitam com freqüência perdem peso e, embora isso possa melhorar seus níveis de colesterol, o exercício em si mesmo não era considerado um fator relevante.

Exercícios não conseguem reduzir o LDL – a forma perigosa do colesterol – e somente atividade física intensa pode elevar o HDL – a forma benéfica do colesterol, que protege o corpo de ataques cardíacos.

Mas o estudo, conduzido pelo dr. William E. Kraus, da Universidade Duke, descobriu uma nova maneira como o exercício pode afetar o colesterol – alterando o número e o tamanho das partículas que o transportam através da corrente sangüínea.

“Pessoas ligadas à atividade física indagam por que a ginástica não afeta o colesterol total e o LDL”, disse o dr. Kraus. “Nós sempre soubemos que baixos níveis de exercício são úteis. Isto ajuda a resolver o paradoxo”.

Seu trabalho é o último capítulo de uma visão evolutiva dos efeitos do colesterol. Uma geração atrás, os médicos se preocupavam somente com a quantidade de colesterol total. Mais tarde, a importância dos principais subtipos, especialmente o HDL, tornou-se evidente.

Agora, especialistas voltam sua atenção para a estrutura física do colesterol na corrente sangüínea.

Com o colesterol, maior é melhor

O colesterol é uma gordura essencial, ou lipídio. Ele circula pelo organismo ligado a partículas de proteínas.

O colesterol parece mais propenso a se acumular nas artérias quando é transportado por pequenas e densas partículas de proteínas do que quando é levado por outras maiores e mais leves.

O mais recente estudo descobriu que as pessoas que se exercitam desenvolvem essas partículas maiores, ainda que a quantidade de seu colesterol total permaneça a mesma.

“O uso desta análise mostra claramente que a prática de exercícios tem efeitos benéficos que não são revelados por testes de rotina”, disse o Dr. Ronald M. Krauss, do Lawrence Berkeley National Laboratory, que estuda as partículas de proteína.

O estudo, conduzido nas Universidades Duke e East Carolina, envolveu 111 sedentários, homens e mulheres acima do peso.

Eles foram distribuídos aleatoriamente em três grupos de exercícios: o primeiro equivalente a caminhar 19,2 quilômetros por semana, o segundo a praticar 19,2 quilômetros de jogging por semana, e o terceiro a fazer 32 quilômetros de jogging por semana.

Todos foram instruídos a comer o suficiente para manter seu peso constante.

Eles descobriram que os efeitos de andar e praticar jogging por 19,2 quilômetros sobre o colesterol eram os mesmos. Já os 32 quilômetros de jogging por semana tiveram como resultado mudanças mais pronunciadas.

A medição do tamanho das partículas de proteína é algo às vezes feito em grandes centros médicos, mas integra os exames rotineiros.

O dr. Kraus disse esperar que os testes para a medição das partículas de proteínas, que custam duas ou três vezes mais do que os exames rotineiros de colesterol, se tornem mais amplamente usados.

O dr. Joann Manson, chefe de medicina preventiva do Brigham and Womendocument.write Chr(39)s Hospital, de Harvard, destacou que a prática de exercícios já mostrou trazer muitos outros benefícios ao coração, incluindo melhoras na pressão sangüínea, nas doses de açúcar no sangue, na redução de coágulos e em inflamações.

Estudos mostram que caminhadas rápidas de 30 minutos por dia podem reduzir o risco de doença coronariana em 30 a 40 por cento. “Os lipídios não são tudo”, lembrou ainda o Dr. Manson.

Fonte: Associated Press

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