11/11/2002 10h20 – Atualizado em 11/11/2002 10h20
O presidente do grupo de produção dos leiteiros (o assentamento é planejado e dividido territorialmente em grupos de produção específica) – Davi Bernardes Silveira, disse que o orçamento para implantar 30 tanques é de R$ 59,28 mil. Ele afirma que os custos podem ser minimizados entre 60 a 80% se houver a colaboração governamental.
A apresentação do projeto foi feita na Câmara Municipal de Naviraí pelo engenheiro agrônomo do Idaterra, Joel Perereira Bahia Filho, que explicou que todos os tanques devem ser implantados no fundo das propriedades, próximo a um córrego, com a abertura de canais, a serem vistoriados pela Secretaria de Meio Ambiente, fora da área legalmente destinada para a mata ciliar.
Cálculos
Em cada tanque de 1,5 mil metros quadrados (30 x 50), segundo Joel, há a possibilidade de o produtor conseguir uma renda líquida de R$ 180. Em entrevista ao Correio Rural, ele disse que “o rendimento expresso em número pode parecer pequeno, mas basta fazer as contas, considerando a área, para perceber que a atividade é lucrativa. O agrônomo disse que um boi ganhando seis arrobas por ano, com taxa de ocupação de 1,5 boi/hectare pode dar 270 quilos de peso vivo ao ano (R$ 14,31mil – valor que desconsidera todos os investimentos reclamados pelos pecuaristas). Os 16 produtores do Assentamento Juncal querem seguir a recomendação técnica e já fizeram a opção pela criação da tilápia nilótica (do Rio Nilo), que pode render 400 gramas de peso bruto em 120 dias por exemplar (venda ao produtor por R$ 2 o quilo) ou 135 a 140 gramas de filé (forma industrializada que rende R$ 8 por quilo). Segundo os cálculos dos produtores, colocando 3,5 exemplar por metro quadrado, cada tanque pode receber 5,2 mil alevinos, mas já foram alertados que com as perdas a serem consideradas, esta população deve cair para 4,5 mil. Isso multiplicado por 0,4 kg de peso vivo pode dar 1,8 tonelada por criada, sendo que a média fica entre 1,5 a 2 criadas/ano.
O presidente da Associação Naviraiense Terra e Paz (Antep), Edson Silva, disse que a comercialização para a produção dos peixes no Mato Grosso do Sul não é fator preocupante. “Estamos fazendo este projeto pensando agregar valor à pequena propriedade e com a intenção de auxiliar no fornecimento dos frigoríficos de filetagem de peixes, que estão sendo montados em Itaquiraí e Mundo Novo”. Além dos frigoríficos que serão implantados no próximo ano no cone sul do Estado, há vários frigoríficos no Paraná, mas os assentados já têm a informação da Secretaria Estadual de Produção, de que 80% da produção de Mato Grosso do Sul são destinados para pesque-pagues de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
Fonte: Correio do Estado





