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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Veteranos que não esqueceram a morte

11/11/2002 13h12 – Atualizado em 11/11/2002 13h12

John Allen Muhammad, ex-combatente norte-americano na Guerra do Golfo, em 1991, é acusado de matar 10 pessoas e ferir três no recente caso do franco-atirador de Washington. Robert Flores, também veterano da guerra contra o Iraque, matou três professores numa Universidade do Arizona antes de suicidar-se no mês passado.

Timothy McVeigh, outro ex-soldado que lutou em território iraquiano, planejou um atentado terrorista que matou 168 pessoas em Oklahoma há sete anos. Mais do que coincidência, todos podem ter em comum um problema ainda pouco conhecido pela medicina: a síndrome da Guerra do Golfo.

Com a possibilidade cada vez maior de outro conflito contra o Iraque, cientistas e ex-militares temem milhares de novos casos da síndrome. Os sintomas variam de uma simples dor de cabeça e queda de cabelo à depressão, angústia e paranóia. Segundo o autor de um dos dois únicos estudos no mundo sobre os efeitos neurológicos da síndrome da Guerra do Golfo, Robert Haley, cerca de 100 mil dos 700 mil norte-americanos que participaram do conflito apresentam algum sintoma da doença.

Haley, epidemiologista da Universidade do Sudoeste do Texas, acredita que o comportamento violento dos combatentes após voltarem do Iraque não se deve ao estresse, mas ao contato com substâncias químicas como o gás sarin. ‘‘Esses agentes nervosos causam danos ao cérebro e problemas neurológicos capazes de afetar o comportamento’’, explicou Haley ao Correio. Ele concluiu que as pessoas mais afetadas têm no sangue menor quantidade de paraoxonase, uma enzima capaz de destruir toxinas. Essa predisposição genética explicaria por que alguns militares apresentaram mais sintomas.

Dados do governo dos Estados Unidos indicam que os casos de violência doméstica entre militares no país aumentou de 18,6% por cada mil soldados em 1990 para 25,6% em 1996. No mesmo período, a média nacional entre os civis diminuiu. Apesar desses estranhos indícios, os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha — que mandou 45 mil combatentes para o Iraque — ainda não reconhecem oficialmente a existência da síndrome da Guerra do Golfo e os veteranos supostamente afetados ficam sem indenização.

Fonte: Correio Braziliense

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