12/11/2002 08h23 – Atualizado em 12/11/2002 08h23
O Exército israelense invadiu o campo de refugiados de Tulkarm na madrugada de hoje, depois de um atentado que matou cinco israelenses em um kibutz.
Horas antes da invasão, as autoridades israelenses já haviam anunciado retaliações contra as localidades de Tulkarm e Nablus, por considerar que ali havia suspeitos do ataque de domingo (9) à noite contra o kibutz (fazenda coletiva) no norte de Israel.
Na aldeia de Shweike, ao norte de Tulkarm, as tropas israelenses demoliram uma casa que pertencia a Mohammed Naifeh, considerado um importante ativista do partido Fatah, do líder Iasser Arafat. O Exército acusou Naifeh de ser “o responsável pelo ataque”.
As tropas também vasculharam o campo de Tulkarm, mas segundo fontes militares isso não fazia parte da retaliação. Os últimos incidentes devem complicar uma nova missão de paz norte-americana, iniciada ontem.
Testemunhas e autoridades palestinas disseram que cerca de 30 blindados invadiram o campo de refugiados de Tulkarm por volta de 3h (23h de ontem em Brasília). Houve tiros, mas aparentemente os militantes palestinos não ofereceram resistência imediata.
Na noite de ontem, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e seu novo ministro da Defesa, Shaul Mofaz, visitaram o kibutz, que fica perto da fronteira com a Cisjordânia, e discutiram uma reação “comedida” ao ataque.
Fontes israelenses disseram em seguida que Sharon e Mofaz haviam se decidido por uma ação militar “nas próximas horas” em Nablus, de onde supostamente saiu o atirador, e de Tulkarm, a cidade palestina mais próxima do local do atentado.
No campo de refugiados de Rafah, na faixa de Gaza, testemunhas disseram que uma criança de dois anos foi morta nos braços de seu pai por disparos feitos sem motivação aparente a partir de uma torre de vigilância dos israelenses. O Exército disse que seus homens haviam sido atacados.
Crianças mortas
No incidente de domingo (9), o atirador invadiu o kibutz Metzer e abriu fogo contra uma mulher que visitava a fazenda e contra seu administrador. Depois, ele entrou em uma casa e matou uma mãe de 34 anos e seus dois filhos, de quatro e cinco anos, que estavam na cama.
As Brigadas dos Mártires de Al Aqsa assumiram a autoria do atentado, em vingança contra a morte de um militante. O grupo prometeu “mais martírios até que a ocupação deixe nossa terra”. Atentados contra os kibutz são raros.
A Autoridade Nacional Palestina (ANP), do presidente Arafat, expressou “veemente condenação à morte de civis”, mas também mencionou “a brutal máquina de guerra” dos israelenses nos territórios ocupados.
Esses novos episódios tornam ainda mais duvidoso o sucesso da missão do diplomata norte-americano David Satterfield, que tenta convencer ambos os lados a adotarem medidas que permitam a criação de um Estado palestino em 2005.
A proposta foi encarada com ceticismo pelas partes envolvidas, pois qualquer decisão importante deve ficar para depois das eleições gerais em Israel, marcadas para 28 de janeiro, e depende também do desenrolar da crise entre Estados Unidos e Iraque.
Fonte: Reuters





