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sábado, 25 de abril de 2026

Por apoio, PT estimula trocas partidárias

12/11/2002 09h33 – Atualizado em 12/11/2002 09h33

O PT está estimulando o troca-troca partidário, prática que sempre condenou, a fim de ampliar a base de sustentação política do novo governo no Congresso. A expectativa é que pelo menos 50 deputados migrem de legenda no início de 2003 em direção a partidos que apoiaram a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

O próprio PT espera engordar com adesões saídas da esquerda do PSDB e PMDB. Mas são os aliados ao partido de Lula os mais agressivos na busca de filiações. Dentre eles, destaca-se o PL.

Nas urnas, a sigla do vice-presidente eleito José Alencar elegeu 26 deputados, mas espera chegar a cerca de 50 logo. Na Câmara, o líder Valdemar da Costa Neto (SP) tenta manter sigilo sobre as conversas, para não atrapalhar as negociações, mas tem sido difícil.

O deputado Moroni Torgan (PFL-CE), por exemplo, contou à cúpula pefelista ter sido assediado por José Dirceu (SP), presidente do PT, que o teria aconselhado a se filiar ao PL. À Folha, Torgan disse que foi convidado pelo PL, mas recusou. A cúpula do PFL já identificou dois outros deputados sob assédio do PL: Neuton Lima (SP) e Átila Lins (AM).

O partido seria o destino de parlamentares oriundos de partidos conservadores como o PFL e o PPB.

Valdemar trabalha em três frentes: deputados que procuram o PL para conversar, os que procuram intermediação de deputados que já pertencem ao partido e diretamente com governadores. Dois já foram contatados: Marconi Perillo (GO) e Cássio Cunha Lima (PB), ambos do PSDB.

O líder do PL não quer a filiação dos governadores em si, mas de deputados ligados a eles e oferece o apoio do PL às reivindicações do Estado ao novo governo.

PT, PSB e PPS seriam os principais portos de parlamentares da esquerda do PSDB e do PMDB.

No Senado, o PMDB ficou com 19 cadeiras, igual ao PFL, mas para conseguir ter o próximo presidente da Casa foi atrás de adesões. O suplente do governador eleito do ES, Paulo Hartung (PSB), deve ficar no partido, que abrigará ainda o tucano Luiz Otávio (PA).

Com João Mota e Otávio, a bancada atingirá o número de 21 senadores, mas o líder Renan Calheiros acena com a possibilidade de filiação de três outros.

PFL e PPB, segundo cálculo de líderes partidários, devem sofrer as maiores perdas. O PMDB perde pouco, se ficar na base de sustentação do governo. E o PSDB pode se manter estável por estar bem estruturado em Estados como Minas Gerais e São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo

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