29.1 C
Três Lagoas
domingo, 26 de abril de 2026

Presidente do sindicato dos garimpeiros é morto com cinco tiros

18/11/2002 08h32 – Atualizado em 18/11/2002 08h32

O presidente do Sindicato dos Garimpeiros de Curionópolis (PA), Antônio Clênio Cunha Lemos, 36, foi assassinado na madrugada de ontem com cinco tiros, dois deles na cabeça, na sede da entidade por um pistoleiro.

O crime aumentou a tensão entre grupos rivais de garimpeiros que disputam a direção da Coomigasp (Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada) e o direito de explorar uma área de cem hectares do garimpo.

Cerca de 4.000 garimpeiros estão acampados e ameaçam invadir o garimpo há seis dias. Eles montaram barracos na margem de uma estrada de terra que dá acesso ao garimpo.

Lemos era um dos líderes que ameaçavam invadir a área do garimpo. Seus seguidores querem fazer seu enterro no alto da própria Serra Pelada.

“Se isso acontecer [enterro na Serra Pelada], vai morrer muita gente. O clima já era tenso e com esse crime ficou ainda mais”, disse o superintendente da Polícia Civil na região, Sílvio Maués.

No povoado de Serra Pelada, outros 3.000 garimpeiros, ligados ao prefeito de Curionópolis, Sebastião Curió (PMDB), prometem bloquear a invasão dos dissidentes à força. Eles improvisaram uma guarita e vigiam a entrada do garimpo entrincheirados em pontos estratégicos da estrada.

Curió é ex-deputado federal, ex-agente do SNI (Serviço Nacional de Informações) e coronel reformado do Exército.

Ele ficou conhecido no início da década de 70 como “major Curió”, quando participou da investida militar contra a guerrilha do Araguaia, na região do Bico do Papagaio, na divisa entre Tocantins, Maranhão e Pará.

A Polícia Civil trabalha com duas hipóteses para a realização do crime: vingança ou disputa pelo sindicato entre os grupos rivais. Quatro equipes policiais foram deslocadas para fazer diligências na região ontem.

Testemunha

Um adolescente que teria testemunhado o assassinato está sob proteção da polícia. O suspeito de ter cometido o crime ainda não havia sido identificado.

Segundo a Polícia Civil, o sindicalista assassinado havia sido indiciado, acusado de envolvimento na morte de dois outros garimpeiros em 2000, no povoado de Serra Pelada. Cunha Lemos negava o envolvimento.

O diretor do sindicato, Raimundo Benigno Moreira, cobrou uma intervenção do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para resolver o conflito.

Benigno disse que a morte do sindicalista está ligada a duas ações protocoladas na Justiça na terça-feira passada. “Em uma ação pedimos reintegração de todos os 41 mil garimpeiros à cooperativa e, na outra, solicitamos a anulação do estatuto da Coomigasp”, disse o diretor sindical.

A Coomigasp tem hoje 17 mil associados, mas apenas 6.200 têm direito ao voto por estarem em dia com os pagamentos.

Ameaças

Nos últimos dias, o sindicalista vinha dizendo pela cidade que, se alguma coisa lhe acontecesse, a responsabilidade seria de Curió.

O prefeito não foi localizado ontem. Em entrevista à Agência Folha na última sexta-feira, Curió se eximiu de qualquer conflito que viesse a ocorrer na região.

O clima começou a ficar tenso em Serra Pelada depois que o Congresso Nacional aprovou um decreto legislativo que autoriza a reabertura do garimpo para exploração de cem hectares, que pertenciam a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce).

Agentes da Polícia Federal e deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara chegam amanhã ao local. Também amanhã, o governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), deve se reunir com Sebastião Curió e com garimpeiros rivais.

Fonte: Agência Folha

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.