19/11/2002 14h15 – Atualizado em 19/11/2002 14h15
Os combates entre as forças armadas de Uganda e os rebeldes do Exército de Resistência do Senhor (ERS) se intensificaram nos últimos dias, e desde o sábado passado no norte do país já morreram 43 guerrilheiros e seis soldados, de acordo com o governo.
Porta-vozes oficiais informaram hoje que 28 membros do ERS caíram ontem em combates no distrito de Gulu, nos quais quatro soldados também perderam a vida. No sábado passado, outros 15 rebeldes e dois soldados morreram em uma batalha na mesma área, sempre segundo o governo.
Por outro lado, o governo de Cartum revogou a permissão que tinha dado às forças armadas de Uganda para entrar em território sudanês, onde os rebeldes do ERS têm suas bases de retaguarda.
O ministro sudanês de Exteriores, Mustafá Osmán Ismaíl, explicou que a medida se devia a fato de que Uganda não tinha posto um prazo limite para o fim de suas operações em solo sudanês, nem havia indicado os lugares em que seus soldados estariam atuando.
A permissão que o Sudão concedeu em março passado a Uganda para que as forças armadas entrassem em território sudanês para perseguir os rebeldes do ERS deu lugar à “Operação Punho de Ferro”, com a qual o exército ugandense pretendia pôr fim à rebelião.
O ERS, dirigido por Joseph Kony, surgiu depois que o presidente atual, o sulino Yoweri Musseveni, tomou o poder em 1986. O ministro Ismaíl ressaltou que, apesar da decisão de não renovar a permissão para que as forças armadas ugandenses entrem no Sudão, Cartum “não voltará a cooperar com o ERS”.
O Sudão tem que fazer frente a uma rebelião própria, a do Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS), que anteriormente recebia o apoio de Uganda, assim como Cartum apoiava o ERS.
O EPLS luta há quase 20 anos pela independência do sul do Sudão, onde são predominantes os cristãos e os animistas, frente ao norte, onde são majoritários os muçulmanos.
O EPLS e o governo de Cartum realizam negociações de paz em Nairóbi que ainda não tiveram êxito, mas sim se acordou ampliar até o próximo 31 de março o cessar-fogo atual, segundo se informou hoje na capital do Quênia.
Fonte: Agência EFE






