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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Hans Blix: o sueco de cuja palavra dependerá a guerra ou a paz no Iraque

19/11/2002 09h31 – Atualizado em 19/11/2002 09h31

NAÇÕES UNIDAS – Aos 74 anos, Hans Blix é o homem de cuja palavra dependerá a guerra ou a paz no Iraque. Chefe dos inspetores de armas da ONU, ele liderará o grupo que a partir desta segunda-feira procurará armas de destruição maciça no país de Saddam Hussein.

Caberá ao sueco Blix dizer ao Conselho de Segurança da ONU se Bagdá acatou ou não as exigências da ONU sobre as investigações sobre seu suposto programa de armas química, biológica e nuclear. Os EUA já advertiram: se o Iraque falhar no teste da ONU, forças americanas irão à guerra para desarmar Saddam.

  • A situação é tensa no momento, mas há uma nova oportunidade e nós estamos aqui para fornecer inspeções confiáveis – disse Blix, logo após chega a Bagdá com uma equipe de 30 pessoas, o primeiro grupo de inspetores de armas a visitar o Iraque em quatro anos.

  • Nós esperamos que possamos aproveitar esta oportunidade.

Firme e calmo – Blix é conhecido por seguir as regras e por conseguir exercer seu trabalho enquanto os EUA soam seus tambores de guerra e a ONU tenta transformar as promessas de Bagdá em atos.

  • Eu acho normal que haja uma pressão constante para forçar os iraquianos a cumprir com o prometido – disse ele.

Ao mesmo tempo, o chefe de inspetores da ONU defende a neutralidade. Ele bloqueou propostas dos americanos que queriam nomear seus inspetores para a equipe da ONU ou enviar tropas para abrir estradas para o grupo de Blix.

  • Nós temos tentado desde o começo a manter uma posição equilibrada – disse ele, em uma entrevista recente.

Advogado com dois doutorados, Blix estudou na Universidade de Colúmbia, nos EUA, e na de Cambridge, na Inglaterra. Ensinou direito internacional na Universidade de Stockholm, antes de ingressar no Ministério das Relações Exteriores sueco, do qual foi chanceler em 1978.

Aposentadoria interrompida – Em 1981, ele tornou-se secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) da ONU, cargo que ocupou por 16 anos. Em 1997, ele anunciou sua aposentadoria e ao lado da mulher, Eva, partiu para um cruzeiro pela Antártica, em 2000. Mas o descanso durou pouco. Naquele mesmo ano, ele foi chamado pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para o trabalho.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU queriam que Blix chefiasse a Comissão da Monitoração, Inspeção e Verificação da ONU – conhecida pela sigla Unmovic -, órgão responsável por acompanhar o desmantelamento do arsenal de destruição maciça da ONU.

Diplomatas dizem que Blix trouxe credibilidade para a desprestigiada agência, criticada pelos russos e acusada de espionar para os EUA durante a administração de seu antecessor, o australiano Richard Butler.

Fonte: Reuters

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