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sexta-feira, 24 de abril de 2026

BATAGUASSU:PMs abusam de Autoridade e amedrontam moradores

24/11/2002 17h17 – Atualizado em 24/11/2002 17h17

Dois policiais PMs lotado no distrito da Nova Porto XV de Novembro, soldado Paulo, (Paulão) e Sartóri foram protagonista de uma ação brutal e covarde que deixou os moradores local revoltados com a atitude dos homens que se consideram da lei. No sábado, por volta das 22 horas, o correspondente do jornal Diário MS na região de Bataguassu, Ricardo Ojeda estava ouvindo som reunido com grupos de amigos no Herbert Richers Lanchonete e Restaurante de propriedade do comerciante Antonio Ferreira de Lima.

ABUSO DE AUTORIDADE

Foi quando de repente chegou o soldado Paulão perguntando quem era o proprietário do veículo, que aliás, era o único que estava no local. Ojeda levantou e foi em direção ao policial dizendo ser ele o proprietário. O policial, por sinal bastante desequilibrado e muito nervoso, disse então que o som estava com volume alto e que era para baixar, no que foi atendido de imediato. Mas não satisfeito, pediu o documento do carro para lavrar uma multa. O correspondente indagou qual era o motivo da multa, tendo como resposta que o veículo estava perturbando a “ordem pública” e que possivelmente o carro seria apreendido. O soldado ficou em posse do documento e foi até o posto policial retornando uns dez minutos depois com outro colega, o Sartóri. Sem mais nem menos, o soldado Paulão se dirigiu à mesa onde estava Ricardo Ojeda, dando voz de prisão. Nesse instante o soldado Sartóri algemou Ojeda, que ainda indagou ao policial se realmente aquilo seria necessário, visto que todos o conhecia no local e não estava de forma alguma resistindo à prisão. Foi quando Sartóri respondeu que ali quem mandava era ele e que podia fazer o que quiser. Nesse instante, quando o correspondente estava sendo levado a viatura, um dos amigos do correspondente pegou a máquina fotográfica e tirou fotos da ação dos policiais. Dessa forma o soldado Paulão também fez a apreensão da maquina fotográfica de propriedade de Ricardo Ojeda. Antes de sair com a viatura, ordenou em tom ameaçador ao proprietário da lanchonete que fechasse as portas e pediu aos que estavam presentes para irem embora, que o espetáculo já tinha chegado ao fim.

PRF

No percurso entre o distrito de Nova Porto XV à Bataguassu, Paulão parou no posto da PRF onde solicitou ao patrulheiro Wanderlei para que desse um jeito de apagar as fotos da máquina. O patrulheiro mesmo conhecendo Ojeda, fez que não o reconheceu, exigindo que ele ensinasse como apagar as fotos. Algemado, Ojeda não pode atender o pedido, foi quando o agente federal manuseou a máquina conseguindo apagar as fotos do flagrante. Seguindo para Bataguassu, o soldado Paulão dizia que no pedaço quem mandava era ele e que ninguém iria tirar a sua autoridade, pois lá no distrito, ele sempre põem para “arrebentar mesmo”, e por isso era uma pessoa muita temida na localidade.

Chegando em Bataguassu, a viatura foi direto a Santa Casa, onde o publicitário faria exame de corpo de delito. Os plantonistas do hospital, se recusaram a fazer o exame, sem ao menos manifestar qual o motivo da recusa.

PROPOSTA

Ao chegar na delegacia, o policial Sartóri começou a lavrar o boletim de ocorrência e nesse instante, o soldado Paulão pediu ao colega para “botar para arrebentar mesmo”. Quando o B.O estava concluído, chegou na delegacia visivelmente embriagado o sargento PM Brandão, pedindo aos colegas o que estava acontecendo.

Paulão foi até a frente da delegacia para conversar em particular com seu superior. Depois Brandão chamou Ojeda para conversar em particular pedindo ao publicitário que esquecesse de tudo, pois a ação dos policiais poderia complicar para eles. Caso aceitasse, o B.O seria cancelado e cada um iria para sua casa. Recusando a proposta, o sargento começou então a xingar o publicitário com palavras de baixo calão, dizendo também que o corporativismo policial era mais forte e que nada poderia atingir a instituição

BOX

Ontem pela manhã, a reportagem do Diário MS esteve no distrito da Nova Porto XV entrevistando algumas pessoas que presenciaram o episódio. O desempregado Thiago Santana, morador na avenida Porto XV afirmou que é constante o abuso dos policiais e inclusive ele mesmo recentemente foi vítima da ação do soldado Paulão. O comerciário Antonio Ferreira de Lima disse que a atitude dos policias foi injusta e totalmente arbitrária. “Além disso eu fiquei no prejuízo, pois além do soldado mandar fechar as portas, teve cliente que foi embora sem pagar a conta, mas tudo bem, eu os conheço e com certeza vou receber posteriormente”.

Para o presidente da Associação dos Moradores da Nova Porto XV Sebastião Taboca, a atitude dos policiais foi insensata. “ Embora não estava presente no fato, posso afirmar que o Ojeda sempre foi uma pessoa amiga e companheira, que sempre divulgou os problemas da comunidade, acompanhando de perto todas as negociações envolvendo o distrito e a Cesp, além de ser conhecido por todos”.

Outro episódio envolvendo o policial Paulão aconteceu uns vinte dias atrás, quando Valdecir Pedreiro estava na lanchonete Vera Vânia tentando tirar com uma faca, um anzol que estava no braço de um colega pescador. O soldado Paulão, viu a cena e imediatamente apontou o revólver para a cabeça do pedreiro e em seguida disparando sua arma nos pés do trabalhador, levando-o para o posto policial. Vários moradores se queixaram dos dois policiais, mas não quiseram se identificar, temendo sofrerem represálias dos PMs.

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