24.6 C
Três Lagoas
domingo, 26 de abril de 2026

Bactéria da úlcera consome hidrogênio para se reproduzir

29/11/2002 11h00 – Atualizado em 29/11/2002 11h00

As bactérias presentes no intestino e associadas à úlcera e ao câncer de estômago parecem adorar hidrogênio. Um estudo feito com camundongos, publicado hoje na revista Science, revelou que a presença de uma quantidade maior dessa substância estimulou o crescimento da bactéria no estômago dos roedores.

“As pessoas apresentam taxas diferentes de hidrogênio no intestino”, disse Robert J. Maier, da Universidade da Geórgia, em Athens. O estudo atual “realmente mostra algo novo sobre o crescimento da bactéria”, acrescentou o especialista. Com isso, outros pesquisadores podem usar essa informação para descobrir como a redução dos níveis de hidrogênio no organismo poderia ajudar a diminuir o crescimento dessas bactérias potencialmente perigosas.

Cerca de metade da população é portadora da bactéria Helicobacter pylori. Geralmente inócua, em alguns casos essa bactéria pode aumentar Maier explicou que o hidrogênio proveniente do intestino ou da corrente sanguínea acumula-se no estômago. O gás é produzido no intestino a partir de alimentos que contêm carboidratos complexos, como os vegetais, as frutas e os grãos integrais.

No intestino, esses alimentos são quebrados pela bactéria, num processo que libera hidrogênio. Esse composto se desloca e se acumula no revestimento do estômago, “exatamente onde a H. pylori cresce”, disse Maier. O hidrogênio é apenas um dos componentes da flatulência. Por esse motivo, as diferenças nos níveis desse gás no intestino apresentadas pelas pessoas podem ser sutis e não serem notadas.

A H. pylori contém uma proteína que usa o hidrogênio para gerar a energia necessária à sua multiplicação. Um experimento feito por Maier e Jonathan W. Olson, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, em Raleigh, mostrou que a atividade da proteína produtora de energia aumentou cinco vezes quando a bactéria foi exposta ao hidrogênio. Em outro teste, os pesquisadores constataram que cepas da bactéria geneticamente modificadas para não fabricar a proteína que usa o hidrogênio para gerar energia conseguiram colonizar o estômago de apenas 24% dos roedores, enquanto as bactérias sem alteração infectaram o estômago de 100% dos animais.

Maier comentou que outros patógenos potencialmente fatais contêm a seqüência genética para produzir essa enzima que permite à H. pylori usar o hidrogênio para obter energia – entre eles estão a bactéria Escherichia coli e outros microrganismos, como os causadores da febre tifóide e das intoxicações alimentares. Caso se constate que esses patógenos também necessitam de hidrogênio para produzir energia, os resultados do estudo atual podem influenciar o controle dessas doenças.

O hidrogênio é uma “boa fonte de energia para as bactérias se elas tiverem as enzimas necessárias para utilizar esse gás”, comentou o pesquisador. “Já conhecemos alguns patógenos além da H. pylori”. Apesar desses resultados, o especialista alertou que as pessoas não deveriam tentar reduzir os níveis de hidrogênio no intestino cortando a ingestão de carboidratos complexos. “Esses alimentos são saudáveis, e restringir o consumo deles poderia trazer outros problemas de saúde”, explicou Maier.

Fonte: Reuters

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.