02/12/2002 09h47 – Atualizado em 02/12/2002 09h47
BRASÍLIA – Ao voltar da viagem à Argentina e ao Chile, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva anunciará o desenho de seu Ministério. Na noite deste domingo, antes de embarcar para Buenos Aires, Lula deu uma rápida entrevista na qual confirmou a intenção de anunciar alguns nomes na volta.
— Vocês podem ficar tranqüilos que na semana que vem (esta semana) possivelmente eu começarei a anunciar o Ministério. Vou matar a curiosidade de vocês. Só pode ser depois de quarta-feira, porque eu volto na quarta — disse Lula em frente ao prédio onde mora, quando saía para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, onde embarcou no início da noite a bordo do jato Legacy, da Embraer.
Apesar da expectativa dentro e fora do PT, Lula jura que está dormindo bem. Mas a apreensão é tanta que o presidente eleito, antes decidido a divulgar o nome de seus escolhidos de uma única vez, poderá apresentar só sete ou oito ministros, deixando o resto para depois.
A causa está na disputa interna dos partidos. Embora repita que esteja livre de pressões, Lula admitiu, ao longo de toda a semana, que vive “um bom problema”: o excesso de candidatos para as vagas.
— Só no Rio Grande do Sul são quatro nomes. Em São Paulo, são 12. Assim, nem sobra vaga para o resto do país — brincou Lula, num encontro com o PCdoB, referindo-se aos gaúchos petistas Miguel Rosseto, Tarso Genro e Olívio Dutra, além de Beto Albuquerque (PSB).
Na quinta-feira, na reunião com a bancada do PT, nova brincadeira:
— Deixa eu ver se aqui tem muito ministro… — disse ele, ao entrar na reunião.
Apesar do tom de brincadeira, foi durante o encontro que o comando do PT sentiu a inquietação em sua bancada. Ao conversar com Humberto Costa, coordenador da área social da equipe de transição, o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, aconselhou:
— Alguém precisa dizer a Lula que o sentimento de ansiedade é pior do que o da decepção.
O problema é que, antes de tomar sua decisão final, Lula terá que entrar em sintonia com os partidos aliados, fechando um critério comum de escolha. No PDT, por exemplo, o escolhido de Lula precisará ou não da digital de Leonel Brizola, presidente do partido? Lula quer selecionar o nome de sua preferência em cada partido. Mas os aliados defendem que o presidente eleito apresente a vaga para que os partidos ofereçam o escolhido.
Nos partidos de oposição, há disputa interna. No PPS, Ciro Gomes já assumiu o interesse de participar do governo, enquanto o presidente do partido, Roberto Freire (PE), cobiça a pasta de Ciência e Tecnologia.
No PSB, além da disposição de Anthony Garotinho de opinar, há pelo menos três candidatos ao Ministério: Beto Albuquerque, Roberto Amaral e Eduardo Campos, neto do presidente do partido, Miguel Arraes.
No PCdoB, a disputa estaria entre Agnelo Queiroz (DF) e Aldo Rebello (SP), o preferido do presidente do partido, Renato Rabelo.
São esses conflitos que Lula terá de driblar para a montagem do governo. É por isso que muitos apostam que o anúncio desta semana possa se restringir a nomes mais óbvios, chamados de curingas pelos próprios petistas, como José Dirceu, Antônio Palocci, Luiz Gushiken, José Graziano, Luiz Dulci, Celso Amorim, Gilberto Carvalho e até dom Mauro Morelli.
Na bolsa de apostas tem ainda Marina Silva, para a pasta do Meio Ambiente; Antoninho Trevisan para o Planejamento, José Genoino na Secretaria Nacional de Segurança; Luiz Eduardo Greenhalg para a Reforma Agrária, Benedita Silva na Secretaria de Assistência Social, e Jaques Wagner no Trabalho.
Fonte: Globonews




