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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Ministro venezuelano condena greve geral

02/12/2002 15h34 – Atualizado em 02/12/2002 15h34

O ministro da Venezuela de Assuntos Exteriores, Roy Chaderton Matos, condenou hoje a greve geral convocada pela oposição do país e lamentou que esse protesto esteja acontecendo num momento em que uma possível reconciliação estava sendo negociada. “A greve traz elementos perturbadores. O setor golpista quer conseguir à força o que não pôde conseguir pela via democrática”, disse Chaderton, em entrevista coletiva concedida na Embaixada da Venezuela em Pequim.

Chaderton, que começa hoje uma visita oficial de cinco dias à China, culpou a imprensa por passar uma imagem distorcida do que está acontecendo em seu país e acrescentou que “o governo e o povo venezuelano estão preparados para resistir a qualquer tentativa golpista”. “Sei que não é possível polemizar com os meios de comunicação sem ser acusado de limitar a liberdade de expressão. Na Venezuela pode-se polemizar com os sindicatos, com os empresários, com o exército e com a Igreja, mas não com a imprensa”, declarou Chaderton.

O ministro acrescentou que “agora a Venezuela é um laboratório midiático… O golpe de 11 de abril foi um golpe midiático premeditado que durou três dias. Quando o presidente foi restituído no poder, os meios de comunicação venezuelanos não deram a notícia. Estavam informando sobre um programa de Tom e Jerry”. “Foi a Rádio Caracol da Colômbia que informou sobre a restituição do presidente”, disse o chanceler.

Chaderton, que não aprovou a paralisação convocada pela Federação de Empresas Privadas (Fedecámara) e pela Central Sindical, afirmou que a “greve tinha sido iniciada pelos patrões sem o apoio dos trabalhadores” e que “as comunicações e transportes funcionam bem”. Ao ser perguntado se a greve tem um significado especial na Venezuela, o chanceler se limitou a citar Galileu em tom enigmático e disse que “tudo segue se movimentando”.

Depois, o ministro falou sobre os objetivos de sua visita à China e disse que sua “viagem não é nada de mais”. “É uma visita rotineira, o que pretendemos é consolidar nossas relações políticas e econômicas, que passam por um momento excelente. China e Venezuela têm perspectivas muito boas de fomentar sua cooperação em áreas prioritárias como a agricultura e a energia”, explicou Chaderton.

O ministro de Assuntos Exteriores se encontrou esta tarde com o primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, com o qual conversou sobre assuntos de interesse comum frisando a necessidade de aprofundamento na criação de “joint ventures” (empresas de riscos compartilhados) nos referidos campos. “Eu o informei da situação na Venezuela e ele fez um resumo do XVI Congresso do Partido Comunista Chinês (PCCh) realizado no mês de novembro no Grande Palácio do Povo de Pequim”, disse Chaderton.

Nesse Congresso, foi tomada a decisão histórica de se aceitar os empresários capitalistas como membros militantes do PCCh, o que até pouco tempo atrás era considerado um insulto na China e uma ofensa aos princípios marxistas-leninistas. Chaderton, que viaja acompanhado de assessores de seu Ministério, irá se encontrar amanhã, em Pequim, com seu colega, Tang Jiaxuan, com o qual abordará temas da agricultura.

Na quarta-feira, ele viajará para a antiga capital imperial de Xian, onde se encontra o famoso monumento fúnebre dos Guerreiros de Terracota, mausoléu construído pelo imperador Shi Guangdi no século III a.d.C. O ministro termina sua visita na cidade de Xangai, principal metrópole da china, que o governo regional quer transformar em uma segunda Hong Kong.

Fonte: Agência EFE

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