04/12/2002 11h01 – Atualizado em 04/12/2002 11h01
Brasileiros estão recorrendo aos postos da Argentina e do Paraguai para escapar da alta dos combustíveis no Brasil. A economia de R$ 18,00 a cada 50 litros de gasolina tem levado muitos motoristas de Foz do Iguaçu aos postos da vizinha Puerto Iguazú, no lado argentino da fronteira. O mesmo ocorre em Ciudad del Este, no Paraguai, onde a economia chega a R$ 24,75 para a mesma quantidade de combustível.
Em Puerto Iguazú, o litro da gasolina comum custa, em pesos, o equivalente a R$ 1,61, contra R$ 1,97 nos postos de Foz. Já em Ciudad del Este o valor é ainda menor, custando R$ 1,48 o litro. Por outro lado, o diesel combustível tem uma variação menor. Custa R$ 1,27 no Brasil, R$ 1,36 na Argentina e R$ 1,058 no Paraguai.
Os brasileiros respondem, em média, por 20% do movimento nas bombas do posto Esso Shopp de Ciudad del Este. O estabelecimento é favorecido por estar próximo da Ponte da Amizade, que liga as duas cidades. Placas brasileiras tornaram-se comuns nos postos argentinos depois da desvalorização da moeda do país. Muitos motoristas cruzam a Ponte Tancredo Neves apenas para abastecer o carro.
No entanto, mecânicos advertem para possíveis danos ao veículo com o uso freqüente do combustível estrangeiro. Os componentes mais afetados são bomba e filtro de combustível, filtro, mangueiras e catalisador. Isso ocorre porque o sistema de filtragem na Argentina, por exemplo, é obsoleto. Há, portanto, acúmulo de água e sujeira no tanque de combustível dos veículos abastecidos naquele país.
O mecânico Claucir Rosa explica que outro agravante é a mistura na gasolina. Enquanto no Brasil faz-se mistura com álcool, na Argentina usa-se o chumbo, produto abolido para essa finalidade em território brasileiro. Análise química encomendada pelo Sindicato dos Combustíveis de Foz do Iguaçu aponta para a presença de elementos de alto teor cancerígeno no combustível argentino, por causa da presença de chumbo.
Fonte: Gazeta do Povo



