11/12/2002 08h58 – Atualizado em 11/12/2002 08h58
O juiz da 5ª Vara Criminal de Limeira (151 km de SP), Rogério Danna Chaib, condenou a enfermeira Quitéria Batista, 50, a 43 anos e nove meses de prisão pela morte de um idoso e por tentativa de homicídio de outros quatro, no início deste ano.
Segundo a sentença, expedida pelo juiz na última sexta-feira e publicada no início desta semana, a acusada roubou e envenenou as vítimas se passando por agente sanitária.
De acordo com a apuração da Polícia Civil de Limeira, acatada pelo Ministério Público e pela Justiça, a enfermeira oferecia remédios de efeito sedativo aos idosos, com intenção de envenená-los e depois roubar objetos de suas casas.
Para convencer as pessoas a consumir o remédio, a enfermeira afirmava que ele era parte de um tratamento que estava sendo realizado no município contra a dengue.
A substância era então colocada em um copo com um líquido amarelo, que imitava suco de laranja, e dada às vítimas.
Segundo a Justiça de Limeira, no último mês de março, quatro irmãos chegaram a ser envenenados por Quitéria Batista em uma casa da Vila Queiroz.
O sedativo, no entanto, era muito forte para ser consumido por idosos e provocou a morte de um deles, Agostinho Tedeschi, 85. As outras vítimas foram hospitalizadas na ocasião, para tratamento, e acabaram conseguindo se recuperar.
Testemunha
Após o envenenamento na Vila Queiroz, um outro idoso morador de Limeira procurou a Polícia Civil para dizer que tinha sido abordado pela mesma enfermeira. O depoimento foi um dos principais indícios que levaram a corporação a denunciar Quitéria Batista à Justiça.
A sentença de condenação expedida na semana passada contra a enfermeira foi dada em primeira instância pela Justiça, em Limeira, e cabe recurso. A acusada deve ser notificada da decisão tomada pelo juiz local em dez dias.
Assim que receber a notificação, a defesa dela deve recorrer da sentença e apresentar nova defesa ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, segundo informações da 5ª Vara Criminal de Limeira.
No início da apuração do caso, no primeiro semestre de 2002, a enfermeira chegou a confessar o crime à Polícia Civil.
Durante o processo judicial, no entanto, ela voltou atrás e negou envolvimento com o envenenamento dos idosos, alegando que havia confessado anteriormente por “medo” da polícia.
Fonte: Folha Campinas




