12/12/2002 16h33 – Atualizado em 12/12/2002 16h33
A crise na arquidiocese de Boston ganhou um novo capítulo ontem, após a divulgação de documentos que comprovam que o Vaticano preferiu evitar escândalos a zelar pela segurança de crianças ameaçadas por padres pedófilos. O documento, datado de 25 de maio de 1999 e que foi revelado por ordem da Justiça na semana passada, indica que o papa João Paulo II aconselhou o padre Robert Burns (com largo histórico de molestar garotos) a deixar a área onde sua “condição” era conhecida ou continuar ali – contanto que isso não provocasse nenhum escândalo.
A ordem do papa foi uma resposta a um comunicado de Bernard Law – dirigente da diocese de Boston, acusado de ter acobertado padres pedófilos -, informando sobre a transferência de Burns mesmo depois de um centro de tratamento para padres com problemas ter dito que o religioso não deveria ser colocado em um cargo no qual tivesse contato com crianças.
A diocese de Boston é alvo de 450 processos de vítimas de abusos sexuais.
Somadas, as demandas chegam a mais de US$ 100 milhões. O cardeal Law se encontra no Vaticano, para onde viajou em segredo, onde discute sua situação pessoal e a da diocese, que pode decretar falência. Fontes ligadas à Santa Sé afirmam que, caso ele não renuncie, Law será auxiliado por outro religioso.
Fonte: Jornal da Tarde




