18/12/2002 15h14 – Atualizado em 18/12/2002 15h14
Campo Grande (MS) – Atualmente 120 detentos do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande e Dourados trabalham no projeto Pintando a Liberdade, na produção de bolas de futsal, futebol de campo e voleibol, bem como, redes esportivas. A parceria entre a Secretaria Nacional de Esportes e a Fundesporte, agrega presos que confeccionam os materiais esportivos para atender as demandas das escolas públicas do estado, sendo remunerados pelo exercício de suas funções.
A fábrica de materiais esportivos já atendeu cerca de 250 detentos na preparação, corte, serigrafia, montagem, costura e formatação das bolas e redes, onde os participantes recebem R$ 2,00 por bola costurada e têm a redução da pena de um dia para cada três trabalhados. Para o detento Adriano Washington Vargas, o trabalho na fábrica de bolas tem vários fatores de contribuição. “Estou no projeto há dois anos e para mim o mais importante é a oportunidade que temos de preencher o vazio da mente que norteia os presos, reduzir a pena e a chance única de ser remunerado dentro da penitenciária. Hoje ganho cerca de 140 reais costurando bolas e consigo auxiliar minha família que esta lá fora”, comenta.
Segundo Jaime Gomes de Oliveira, chefe do setor de trabalho da penitenciária, os critérios de avaliação para participar vão desde o tempo de casa, comportamento até o perfil profissional. No entanto, ele explica que, para trabalhar na fábrica de bolas especificamente, o detento tem que ser condenado, ter no mínimo seis meses de recolhimento e nunca ter cometido nenhuma falha de qualquer espécie.
Oswaldo Maurício da Silva, detido em Campo Grande desde 1993, trabalha na penitenciária há sete anos e, com isso, já conseguiu dois anos e meio de redução na pena. “Este projeto tem um enorme valor para qualquer preso, pois além de conseguir a redução de pena oferece inúmeras vantagens. No momento em que estamos produzindo, fazemos amizades, ficamos fora da sela, enfim, conhecemos o outro lado do ser humano que vive na cadeia e temos o privilégio de trabalhar e se sentir útil para a sociedade”, afirma.
Os técnicos da Fundesporte responsáveis pelo projeto, Antônio Marcos de Faria e Ramon Brizuena, explicam que a implantação do Pintando a Liberdade possui um caráter diferenciado dos demais projetos realizados no presídio, uma vez que a fábrica de materiais esportivos dá oportunidade de trabalho aos detentos do pavilhão um, onde se encontram presos com penas mais graves, concretizando um fato inédito no local. Segundo Ramon, até o momento já foram fabricadas cerca de dez mil bolas e 700 redes, beneficiando aproximadamente 375 escolas públicas, além de aldeias indígenas, associações de bairro e prefeituras municipais que desenvolvem projetos com o esporte de base.
Hoje, a Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande tem 770 detentos, os quais 198 trabalham em diferentes funções como a marcenaria, horta, cozinha, cantina, faxina, costura de bola, entre outros. Segundo Jaime, todas as opções têm redução da pena, mas somente a fábrica de bolas remunera o detento. Além disso, ele conta que a mudança de comportamento é notável. “O trabalho é mais importante e eficaz do que qualquer tratamento psicológico, devolve a auto estima da pessoa”, conclui.
Fonte: APn



