19/12/2002 16h21 – Atualizado em 19/12/2002 16h21
SÃO PAULO – Eleito com 1.573.642 votos (8,02% dos válidos), Enéas Carneiro, do Prona, foi vaiado hoje quando recebia seu diploma de deputado federal, na Assembléia Legislativa paulista. Também foi vaiada quando era diplomada a colega de partido de Enéas, Havanir Nimitz, eleita por 682.219 paulistas, outra recordista de votos no país em uma eleição para um cargo parlamentar.
Ambos são acusados de vender vagas para candidatos do partido. Eles cobrariam R$ 5 mil de interessados em concorrer pelo Prona. O dinheiro, defendem-se, nada mais é do que o valor da cartilha do Prona, destinado à editora que imprime o livro, de propriedade de Enéas.
Isso levou o Ministério Público a pedir a quebra do sigilo bancário do deputado federal eleito e de Havanir. Na Câmara Municipal de São Paulo, uma comissão de sindicância também foi aberta para investigar o caso e concluiu que houve quebra de decoro por parte de Havanir. Mas o relatório final da comissão ainda não foi votado. Há a expectativa de que essa votação possa ocorrer hoje.
Esse não é o único problema do Prona. Quatro políticos do Prona que receberam hoje o diploma de deputado federal, na Assembléia Legislativa de São Paulo, juntamente com o governador, senadores e outros candidatos, já tiveram o título de eleitor cassado pela Justiça.
Na última eleição, o partido conseguiu eleger seis candidatos à Câmara por causa da votação de Enéas – pelo critério da proporcionalidade, o Prona ganhou o direito de ter outros deputados.
Ontem, a Justiça determinou a exclusão do cadastro geral de eleitores de mais um deputado eleito pelo Prona. O juiz Luiz Augusto de Siqueira acolheu representação e concluiu que o eleito pelo Prona Elimar Máximo Damasceno também cometeu fraude eleitoral.
Estão nessa mesma situação Vanderlei Assis de Souza, Irapuan Teixeira e Ildeu Araújo. A exclusão do cadastro de eleitores foi determinada em todos os casos porque os candidatos teriam declarado endereço eleitoral falso. Eles não teriam residência em São Paulo e mesmo assim se candidataram pelo estado.
Os quatro eleitos pelo Prona foram diplomados, mas poderão perder o cargo se houver uma decisão definitiva da Justiça contra eles. Até o momento, os quatro podem recorrer contra as sentenças de primeira instância.
Fonte: GloboNews





