19/12/2002 16h19 – Atualizado em 19/12/2002 16h19
O Iraque criticou hoje o “ceticismo” do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, com relação ao dossiê sobre armas entregue por Bagdá à ONU, e chamou os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido de mentirosos.
“O Reino Unido e a América mentiram ao mundo quando disseram que o Iraque tinha produzido armas de destruição em massa após a retirada dos inspetores da ONU [em 1998]”, disse o chanceler Naji Sabri à agência estatal de notícias. “Então eles se complicaram quando o Iraque concordou em permitir a volta dos inspetores e em aceitar a má resolução 1441 [do Conselho de Segurança da ONU]”.
A resolução 1441 ameaça o Iraque com “sérias consequências” -ou seja, uma invasão de norte-americanos e britânicos- se o país não colaborar com as inspeções da ONU. A resolução também exigia que o Iraque entregasse um relatório completo sobre suas armas de destruição em massa.
Sabri disse que Londres e Washington continuaram mentindo mesmo após receber o relatório, no começo deste mês. “Em vez de admitir a verdade, ou pelo menos ficarem quietos, as autoridades britânicas e norte-americanas começaram a se comportar segundo o ditado document.write Chr(39)Minta até que as pessoas acreditemdocument.write Chr(39)”.
Ontem, Blair disse ao Parlamento que há um ceticismo generalizado quanto à veracidade das informações no relatório, mas que uma posição oficial do governo só será tomada no ano que vem.
“O primeiro-ministro britânico sabe que as autoridades iraquianas, e antes e acima de tudo o presidente Saddam Hussein, não mentem”, disse o chanceler. “As autoridades norte-americanas e britânicas, junto com os sionistas [Israel], alimentam animosidade contra as autoridades iraquianas porque sabem que os iraquianos são fiéis a seus princípios e políticas”.
Segundo o inspetor-chefe da ONU, o relatório de 12 mil páginas entregue por Bagdá contém pouquíssimas informações novas. “Há uma boa parcela de informações a respeito de atividades não-relacionadas a armas, mas não muitas informações sobre armas”, disse. “Estamos falando da ausência de evidências, e isso continua”.
Os Estados Unidos dizem que a declaração está repleta de falhas, mas seus aliados britânicos afirmam que isso não é motivo para uma declaração imediata de guerra.
Fonte: Reuters





