19/12/2002 08h20 – Atualizado em 19/12/2002 08h20
Hani Ramadan, professor de francês das autoridades suíças e diretor do centro islâmico de Genebra, será despedido da função pública por causa do escândalo gerado por um artigo publicado no jornal francês Le Monde no qual elogiava o valor dissuasivo do apedrejamento. Em seu polêmico artigo, além de justificar o castigo para mulheres adúlteras, Ramadan apresentava o problema da aids como conseqüência da transgressão de uma suposta proibição divina da homossexualidade.
O ex-procurador federal Bertrand Bertossa, encarregado de estudar o caso, chegou à conclusão de que Ramadan violou em repetidas ocasiões seu dever de reserva como funcionário público e assinalou que suas atividades à frente do centro islâmico eram incompatíveis com seu estatuto de professor. Há dois meses, o caso Ramadan suscita fortes debates na opinião pública entre os defensores do caráter laico do Estado e que se dizem preocupados com os limites da liberdade de expressão que se tenta impor aos professores.
Um dos membros do comitê de apoio a Ramadan, Abu Chaumae, classificou de “aberrantes” os resultados do relatório do ex-procurador geral e disse que ele se comportou conforme a sua fé muçulmana. “Evidentemente, se as coisas tivessem ocorrido antes de (os atentados terroristas de) 11 de setembro, não teria provocado tanto escândalo”, alegou Chaumae, que assegurou que seu comitê fará tudo o que estiver a seu alcance para evitar a anunciada despedida de Ramadan.
Fonte: Agência EFE




