19/12/2002 16h18 – Atualizado em 19/12/2002 16h18
Os seres humanos são geneticamente bastante semelhantes entre si, ainda que provenham de áreas geográficas distantes. A informação foi revelada em um estudo estudo feito por uma equipe de cientistas dos EUA, da Rússia e da França, que foi publicado hoje na revista Science.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores descobriram que algumas pequenas diferenças no ácido desoxirribonucleico (DNA) possibilitam a identificação da procedência geográfica dos ancestrais de homens e mulheres em nível individual.
Marcus Feldman, professor da Faculdade de Humanidades e Ciências na Universidade de Stanford, na Califórnia, disse que este foi o maior estudo do gênero e que tem implicações para a compreensão das migrações e o debate atual sobre o uso de informação de ancestrais na pesquisa médica. “Diferentes povoações experimentam distintas taxas de várias doenças”, disse Feldman. “Para determinar se alguém é geneticamente suscetível a uma doença em particular, os médicos costumam perguntar ao paciente de onde vem sua família”.
No entanto, alguns estudos recentes puseram em dúvida o valor da informação que os pacientes dão sobre seus ancestrais, como um instrumento que contribua para o diagnóstico.
Feldman e seus colegas analisaram as mostras de DNA de 1.056 pessoas de 52 povoações na África, na Europa, no Oriente Médio, na Ásia Central e do Sul, no Leste da Ásia, Oceania e nas Américas. Para a identificação de povoações específicas, os cientistas buscaram os chamados microsatélites, que são segmentos curtos de DNA humano que ocorrem em pautas específicas e que passam de geração em geração.
Neste estudo, os pesquisadores analisaram 377 microsatélites que os biólogos de população empregam habitualmente como marcadores genéticos. “Cada microsatélite tinha entre quatro e 32 tipos diferentes”, disse Feldman. “A maioria foi encontrada em pessoas de vários continentes e o que sugere que apenas uma fração pequena dos traços genéticos distingue as povoações específicas”.
De acordo com o cientista, isso significa que as diferenças que são visíveis entre os grupos humanos, tais como a cor da pele ou a forma do crânio, resultam de diferenças numa proporção muito pequena dos traços genéticos.
Fonte: Agência EFE




